Uma reconstrução das teorias psicanalíticas de S. Freud segundo as categorias da matriz disciplinar de T. Kuhn
Letícia Olga Minhot
- Autor
- Letícia Olga Minhot
- Orientador(a)
- Zeljko Loparic
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2001
Esta tese consiste em mostrar a possibilidade de uma reconstrução da psicanálise freudiana usando categorias de matriz disciplinar tal como foi apresentado por Thomas Kuhn no Postcript a the Structure of Scientific Revolution. Tal reconstrução traz a luz as bases de um consenso para uma comunidade científica contidas na obra de Freud. A matriz disciplinar distingue, por um lado, uma suprateoria que atua como uma visão de mundo e que determina uma série de compromissos metafísicos, científicos e metodológicos. Por outro lado, incorpora o conhecimento que provém de certos exemplos de solução de problemas concretos. Eles servem de base para a solução de outros problemas concretos e envolvem a aplicação de um esquema de lei a diferentes tipos de situação. O espectro de compromissos determina o a priori a partir do qual intuiremos o objeto psicológico. A análise da rede epistêmica no qual se situa tal objeto nos mostrará a adesão de Freud aos compromissos epistêmicos do paradigma biológico, tal como foi postulado no século XIX. Neste o objeto e resultado de uma ontogênese cuja sinômica fundamental é a do conflito. O estudo das metáforas do aparato mental revela esses compromissos, assim como a concepção de uma realidade psíquica distinta de uma realidade empírica. No entanto, é o outro elemento da matriz disciplinar que nos permite se em uma comunidade há consenso ou não. Se as discussões centram-se em questões da suprateoria, isso é uma prova da ausência de um paradigma nesta comunidade. Qualquer tentativa de mostrar um consenso metafórico na psicanálise é uma prova da falta de consenso. O consenso se dá na solução de problemas, adotando como modelo de solução os apresentados pelo autor de uma teoria.
