- Autor
- Gérson Pereira Filho
- Revista
- Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 11 / 1
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.5902/2179378643314
- Páginas
- 86 - 99
- Idioma
- pt
A passagem 140e-141d do diálogo Parmênides nos remete a uma das conseqüências lógicas em relação ao “um”, isto é, estar fora do tempo, como parte da demonstração argumentativa do filósofo eleata ao admitir a primeira hipótese de que “o um é” e as conseqüências disso para si mesmo. Aceitar a existência do “um” implica, segundo o método de análise utilizado por Parmênides, verificar cada uma das hipóteses possíveis nesses casos, em relação às suas predicações, para si e para outras coisas. Igualmente, o mesmo exercício deve ser feito se a hipótese for oposta, “se o um não é”. Como podemos identificar na estrutura do diálogo nesta parte, duas hipóteses são levantadas em que “o um é” e suas nove consequências; no primeiro movimento (137c-142a), as possíveis predicações para este são negadas, e no segundo movimento (142b-155e) tais predicações e seus desdobramentos são reconhecidos. É a partir desse posicionamento que desenvolvemos nossa análise sobre a questão da temporalidade presente no diálogo e suas implicações metodológicas e teóricas.
