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Vida a crédito e consumismo: a procrastinação de cabeça para baixo

Cícero Josinaldo da Silva Oliveira

Autor
Cícero Josinaldo da Silva Oliveira
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
13 / 1
Ano
2016
DOI
10.31977/grirfi.v13i1.692
Páginas
145-163
Idioma
pt
2016Cícero Josinaldo da Silva Oliveira. Vida a crédito e consumismo: a procrastinação de cabeça para baixo. Griot : Revista de Filosofia, v. 13, n. 1, p. 145-163, 2016.2

Apesar das notáveis mudanças operadas sobre o mundo do trabalho, a mais radical das transformações já registradas no capitalismo passa antes de tudo pela ênfase inusitada sobre a capacidade que os rendimentos desta atividade asseguram: a capacidade de consumo. Seguindo as reflexões de Richard Sennett e Zygmund Bauman, registramos nos termos de uma “revolução copernicana do capitalismo” a virada extraordinária que, no interior deste sistema econômico moderno, substitui o imperativo da satisfação adiada e as realizações a longo prazo (que são aspectos fundamentais da “fase heroica” do capitalismo segundo Marx Weber), pelo princípio consumista da satisfação imediata e renovada, assim como a frugalidade pela prodigalidade, o ascetismo pelo gasto dispendioso, as práticas compulsórias de poupança e postergação pelo desejo incontido de felicidade aqui e agora perseguido via consumo. Com o presente texto propomos portanto uma análise da inflexão de valores que marca o recente capitalismo de economia flexível e de práticas consumistas, no confronto com a antiga “ética da procrastinação” de que fala Weber.