- Autor
- João Francisco do Nascimento Hobuss
- Orientador(a)
- MARCO ANTONIO DE AVILA ZINGANO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
A doutrina aristotélica da mediedade (mesotês) é um dos aspectos mais discutidos de sua teoria da virtude moral.O intuito básico desta tese é buscar reconstruir a doutrina aristotélica da virtude a partir de uma leitura positiva da concepção de mediedade, salientando sua importância na análise de Aristóteles, sobretudo pela sua íntima relação com o papel desempenhado pelas circunstâncias, relação que aflora da definição mesma da virtude moral. O caráter incontornável das circunstâncias aparece de modo evidente no interior mesmo da filosofia moral aristotélica, refletindo seu papel fundamental na estrutura geral da proposição prática. Dito de outra maneira, as circunstâncias são inelimináveis do universo ético de Aristóteles. O fato das circunstâncias serem incontornáveis e inelimináveis na argumentação central referente à virtude moral na Ethica Nicomachea não pode, entretanto, reduzir esta argumentação às circunstâncias e sua indeterminação, na medida em que a investigação ética, não possuindo o mesmo grau de precisão de outras disciplinas, deve se ater ao que ocorre “o mais das vezes” (hôs epi to polu)..Deste modo, um outro componente vem fazer companhia às circunstâncias no que concerne à proposição prática aristotélica. Os enunciados gerais são possíveis, mas eles trazem consigo um drama, o de ter de pagar o preço relativo ao seu caráter distintivo, qual seja, sua generalidade. Os enunciados “o mais das vezes”, e é necessário resignar-se a tal condição, perpassam toda a argumentação ética aristotélica, e ocupam um lugar central na EN, mas não podem ser tomados isoladamente. Eles precisam ser complementados de uma maneira que sua generalidade, por assim dizer opaca, adquira uma translucidez, algo que poderá ser alcançado pelo exame rigoroso das circunstâncias da ação na qual o agente está envolvido. Assim, tem-se uma complementaridade entre as generalizações e as circunstâncias, ou seja, estes dois momentos estão plenamente integrados na análise da virtude e da ação moral.
