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Dissertações

A arte de criar a si: uma concepção de hipocrisia à luz do pensamento de Nietzsche

Gustavo Bezerra do Nascimento Costa

Dissertação
Autor
Gustavo Bezerra do Nascimento Costa
Orientador(a)
Maria Aparecida de Paiva Montenegro
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2009
2009Gustavo Bezerra do Nascimento Costa. A arte de criar a si: uma concepção de hipocrisia à luz do pensamento de Nietzsche. 2009. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, CE. Orientador(a): Maria Aparecida de Paiva Montenegro.2

O objetivo da dissertação é compreender, à luz do pensamento de Nietzsche, de que maneira uma determinada concepção de hipocrisia poderia estar presente nos processos que envolvem a criação de si, ou seja, a constituição para si de um caráter. Para tanto, perseguimos três objetivos preliminares. O primeiro, o alvo dos prolegômenos, é o de definir propriamente o que estamos a tratar por hipocrisia e de que maneira a crítica a uma compreensão meramente fenomênica do termo poderia nos indicar a possibilidade de alcançar um patamar propriamente conceitual. Para isso concorre a análise de alguns autores contemporâneos que, em maior ou menor grau, tratam da hipocrisia e de alguns termos correlatos, dentre os quais o auto-engano. O segundo objetivo, agora já com o pensamento de Nietzsche, diz respeito precisamente à possibilidade acima aventada; qual seja, a de conferir ao fenômeno da hipocrisia uma interpretação filosófica. Com esse intuito, em nosso capítulo um, procuramos primeiramente investigar os diferentes registros em que hipocrisia e auto-engano aparecem nos textos nietzscheanos. A partir daí – com base em uma análise acerca da noção nietzscheana de aparência – procuramos compreender o que de propriamente filosófico poderia a tais registros subjazer. Nosso terceiro objetivo é investigar de que maneira a idéia de uma criação de si, bem como a própria noção de hipocrisia que procuramos aqui desenvolver, poderia ainda ter relevância e legitimidade após as críticas de Nietzsche às idéias de consciência e sujeito da modernidade. Tal é o intento do capítulo dois, no qual investigamos as noções nietzscheanas de máscara e interpretação que daí decorrem. Procuramos compreender em que sentido poderíamos, mesmo após tais críticas, sustentar a validade da constituição de um eu, muito embora apoiada em um sujeito fictício – momento no qual reinserimos a noção de hipocrisia que estamos a defender. Nosso objetivo principal, alvo do terceiro capítulo e justificado a partir daqueles três objetivos preliminares é, então, o de compreender em que sentido esta noção de hipocrisia, com o fio condutor proposto, poderia estar na base dos processos que envolvem a criação de si, ou seja, a constituição de um caráter a partir de uma segunda, ou de segundas naturezas.