- Autor
- Leonardo Silva Bernardes
- Orientador(a)
- João Carlos Salles Pires da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
A autonomia da gramática compreende o caráter autocentrado das determinações gramaticais..As regras que constituem a gramática não se definem conforme prescrições da realidade, mas.antes estabelecem o espaço daquilo que pode ser dito significativamente sobre o mundo. O.desafio que nos importa aqui consiste em apontar o papel central da autonomia nas.Investigações Filosóficas, a despeito das dificuldades envolvidas no trabalho de identificá-lo,.cifrado em tensões espalhadas pelo textos. A noção de autonomia da gramática aparece nos.escritos do período intermediário, mas não figura em suas obras de maturidade. Portanto, o.esforço da nossa pesquisa consiste em realçar sua centralidade, apesar da sintomática.ausência, afastando a inclinação a julgá-la abandonada. Nesse propósito, adotamos como.estratégia inicial o trabalho de destacar as mudanças relativas ao Tractatus, a fim de sublinhar.o modo como a noção de paradigma responde às dificuldades postas pela noção de objeto..Essas mudanças apresentam uma maneira completamente diversa de pensar a relação entre.mundo e linguagem. Em seguida, vincularemos as particularidades da noção de paradigma às.ideias de convencionalismo e normatividade, apontando, dessa maneira, a resposta.wittgensteiniana para a questão da necessidade lógica nessa fase do seu pensamento. É justo.nesse ponto que algumas dificuldade centrais ganham corpo, é preciso dar conta da relação.entre linguagem e mundo recusando o vínculo causal. Esperamos dissolvê-las pelo exame do.sentido de um caso-limite sugerido ao final do livro: a história natural fictícia. Assim,.pretendemos estabelecer a indissociável ligação entre uma investigação gramatical, ocupada.com a possibilidade dos fenômenos — e não com sua efetividade —, e a autonomia da.gramática; em outros termos, o vínculo entre a concepção de filosofia de Wittgenstein e a.noção de autonomia. No entanto, a correspondência entre fatos e conceito será o núcleo e o.mote das nossas preocupações, na medida em que a admissão de uma correspondência oferece.oportunidade para esclarecer o papel desempenhado pelos fatos naturais na constituição do.sentido das nossas expressões linguísticas. Tentaremos entender em que sentido a gramática.não é arbitrária, ou melhor, buscaremos esclarecer o modo como certas regularidades do.mundo e constâncias no comportamento humano podem compor o panorama linguístico sem.que lhe comprometa a autonomia. Defenderemos a ideia de que as ocasiões em que.Wittgenstein critica a autonomia e a arbitrariedade são menos signos de afastamento e.abandono do que oportunidades que em se amplia e aprofunda o entendimento sobre a relação.interna entre fatos e conceitos, destacando seu caráter indissociável e protegendo-a de.arroubos que por ventura queiram se valer da autonomia para divorciar a linguagem da.realidade. Por fim, nossa pesquisa terá logrado êxito se, ao final, restar inseparável o elo entre.filosofia e autonomia, de maneira que se tornem claros e distintos os interesses da atividade.filosófica e da pesquisa científica. Também é aspecto central do nosso trabalho o propósito de.consolidar o papel da autonomia nas Investigações, tomando como enganosa a ausência da.noção na letra do texto.
