A CRÍTICA À MODERNIDADE EM GIACOMO LEOPARDI: EM BUSCA DE UMA ULTRAFILOSOFIA
FÁBIO ROCHA TEIXEIRA
- Autor
- FÁBIO ROCHA TEIXEIRA
- Orientador(a)
- OLGÁRIA CHAIN FERES MATOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Esta dissertação defende a presença de uma filosofia na obra de Giacomo Leopardi (1798-1837). Daí afirmar a idéia de um Leopardi também filósofo, a fim de ultrapassar a constante querela, reproduzida pelos estudiosos, de um Leopardi poeta ou filósofo. Tal querela contribuiu, antes de qualquer coisa, para reforçar a.dicotomia entre o poeta e o filósofo, ou simplesmente negar à obra leopardiana qualquer dimensão filosófica. Adota-se aqui outra orientação na pesquisa, tendo como base as seguintes hipóteses interpretativas: i) há uma concepção de “sistema” em Leopardi, oposta à postulação metafísico-racionalista da tradição filosófica; ii) a reflexão leopardiana sobre a infelicidade humana pressupõe a relação entre natureza e razão; iii) tal relação vem enfrentada segundo a contradição responsável pela infelicidade; iv) há também uma preocupação éticopolítica em Leopardi ante o presente; e v) o seu pensamento exprime igualmente uma recusa do mundo moderno, dada às inúmeras degenerescências antropológicas: morte das grandes ilusões, fragilização das faculdades sensíveisperceptivas, morte do poético na natureza. Neste trabalho priorizam-se as reflexões leopardianas do Zibaldone di Pensieri (1817-1832), sem prejuízos para a leitura das demais obras: uma tentativa de contraposição com as interpretações prevalentes, repletas de dificuldades e dúvidas quanto à filosofia de Giacomo Leopardi. Outrossim, busca-se uma via segura capaz de dissipar tais incertezas, mediante os esclarecimentos leopardianos apresentados no Zibaldone. Destacase, portanto, uma filosofia em Leopardi, atenta aos rumos tomados pela tradição filosófica, em especial, a moderna. A sua filosofia objetiva a realização de uma outra filosofia, ou seja, uma ultrafilosofia para um “século de morte”. A ultrafilosofia pretende, de um lado, dissolver as antinomias, recuperando a integridade antropológica humana ameaçada pela racionalidade moderna, e, de outro, despertar nos homens uma nova postura em virtude do duplo risco para a humanidade: o da “barbárie da sociedade” e o da “natureza madrasta”.
