A DEFESA CÉTICA DIANTE DO ARGUMENTO DE QUE O CETICISMO NÃO PODE SER VIVIDO NA PRÁTICA: DA DÚBIA VIDA DE PIRRO AO PIRRONISMO TERAPÊUTICO DE SEXTO EMPÍRICO
Rodrigo Pinto de Brito
- Autor
- Rodrigo Pinto de Brito
- Orientador(a)
- Danilo Marcondes de Souza Filho
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Este trabalho é uma busca pelo significado original do ceticismo conforme pensado por Sexto Empírico. Começando por uma depuração do entendimento pejorativo do senso comum em torno das palavras cético e ceticismo, passamos a uma breve história do ceticismo desde os filósofos chamados ‘proto-céticos’, passando por Pirro e seus discípulos, pelo ceticismo Acadêmico, chegando até Sexto Empírico e seu ceticismo terapêutico. Assim, verificamos como, ao longo do tempo, diferentes ênfases foram sendo dadas às diferentes etapas da reflexão cética, algumas vindo a desaparecer, outras sendo reconhecidamente atribuídas ao arsenal argumentativo cético. Tendo argumentado que o ceticismo é uma maneira de se viver, passamos à reflexão sobre a viabilidade prática de se viver de modo genuinamente cético. Detectamos a origem do principal argumento contra a possibilidade da vida cética, o argumento da apraxía, que induz o cético a auto-refutar-se. A partir deste ponto, nossa preocupação foi compreender os desdobramentos do argumento da apraxía até David Hume, e também os desdobramentos da defesa cética inicialmente elaborada por Arcesilao contra a filosofia da Stoa, até Sexto Empírico. Pensamos que Sexto em sua fundamentação de uma vida cética se adiantou às críticas de Hume, esta hipótese, uma vez verificada, nos permitiu repensar a acusação de que o cético se auto-refuta, bem como o alcance da suspensão de juízo. Aderimos à interpretação de Burnyeat de que a epoché de Sexto também aplica-se a alguns juízos feitos no âmbito da vida ordinária, ampliando o alcance da suspensão, mas concordamos com a redundância dela conforme demonstrada por Barnes e Frede em que o cético, após suspender o juízo sobre tudo, se torna um homem comum.
