A destruição da ética: a ética originária segundo Martin Heidegger.
ALEXANDRE MARQUES CABRAL
- Autor
- ALEXANDRE MARQUES CABRAL
- Orientador(a)
- GILVAN LUIZ FOGEL
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
Explicita o conceito de ética originária no pensamento de Martin Heidegger, presente na obra Carta sobre o humanismo, além de ensaiar uma """"destruição"""" das éticas ocidentais, que, por terem sido elaboradas desde o horizonte metafísico de compreensão do real, podem ser chamadas de éticas ôntico-metafísicas. As éticas tradicionais, devido ao caráter metafísico que as norteia, olvidam-se da dimensão arcaico-originária do homem, qual seja, sua comunhão com a verdade do ser. Este é o seu éthos, seu habitat primevo. Manter-se neste éthos é, ao mesmo tempo, ser livre para si mesmo, ao assumir suas dependências, quais sejam, dos outros e dos demais entes do real. Neste sentido, a ética heideggeriana consiste no dizer que, por dizer a verdade do ser, deixa vir a lume o éthos do homem, isto é, do Dasein. Concomitantemente, justamente porque a dimensão arcaica de realização do éthos é pré-predicativa, o """"pensamento ético heideggeriano"""" refere-se, sobretudo, à gênese de um novo modo de ser do Dasein, onde este venha a ser ele mesmo preservando a totalidade de suas dependências. Não se situando no horizonte da tradição, o pensamento ético de Heidegger supera os dois perigos inerentes à ética ôntico-metafísica: o dogmatismo moral e o niilismo axiológico, mesmo que não prescinda das regras morais cuja força de persuasão o Dasein sempre está submetido.
