- Autor
- Paulo Henrique Cavalcanti
- Orientador(a)
- Ulpiano Vazquez Moro
- Universidade
- FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA — FAJE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
O objetivo desta dissertação é mostrar a ética como responsabilidade pelo rosto a partir da análise da passagem do ser ao outro na obra do filósofo franco-lituano Emmanuel Levinas. O ser é identificado como interesse, entendido como busca por manter-se no ser, mesmo excluindo o outro pelo ato extremo do assassinato. Para afirmar-se no ser o Eu acaba por negar o outro. A manutenção no ser sugere a Levinas outro modo que ser, a alteridade, que escondida no pensamento e nas vivências de nossa cultura, apresenta-se como fundamento de um convívio ético, capaz de reconhecer a exterioridade do rosto do outro. O outro é rosto e convoca o Eu à responsabilidade. A ética passa a ser entendida como impugnação da espontaneidade do Eu pela presença do rosto. Na resposta ao outro humano, o Eu se torna bondade. Por isso a bondade consiste em colocar-se no ser de tal forma que o outro conte primeiro que o Eu. Dessa forma, a responsabilidade se apresenta como a concretude da resposta ao apelo do outro, em forma de comparecimento. Tal responsabilidade se agrava, chegando à substituição. É uma substituição compreendida de forma mais radical, que se encontra concentrada na fórmula substituição do um-para-o-outro, em que o Eu vai se destituindo de sua egoidade, depondo-se de si para desinteressadamente estar correspondendo de mãos cheias ao apelo do rosto. Na passagem do ser ao outro pela responsabilidade se estabelece a paz, como ruptura com a violência da fixação no ser.
