A ética skinneriana e a tensão entre descrição e prescrição no behaviorismo radical
Marina Souto Lopes Bezerra de Castro
- Autor
- Marina Souto Lopes Bezerra de Castro
- Orientador(a)
- Júlio César Coelho de Rose
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
A partir da descrição da teoria skinneriana desde seus primórdios, podemos entender o percurso que desemboca em questões éticas. Skinner afirma que a ciência do comportamento também pode ser uma ciência dos valores, isto é, pode explicar, pode descrever, o que significam os valores e o que é ser ético, agir de um modo considerado ético. Além disso, o autor argumenta que, a partir do Behaviorismo Radical e de sua teoria da seleção por conseqüência nos três níveis, é possível eleger um valor primordial que possa ser o guia para alguém que se ponha a elaborar práticas culturais de forma deliberada. Nesse sentido, Skinner assume uma postura prescritiva, ao mesmo tempo em que tenta reduzi-la ao âmbito descritivo. Aí reside uma certa tensão no texto skinneriano, pois, ao mesmo tempo em que descreve o bem da cultura, o autor elege esse bem como o valor primordial. Tenta justificar essa eleição utilizando argumentos descritivos, mas, ao fim, não encontra nenhuma """"boa razão"""". Assumimos que é possível derivar preceitos éticos a partir do Behaviorismo Radical, entretanto, o Behaviorismo Radical não é suficiente para justificar a escolha de um ou outro preceito. Não podemos, a partir apenas de seus pressupostos, escolher o bem da cultura, ou o bem dos outros, ou os bens pessoais como o principal valor, pois não há argumentos suficientes dentro da própria teoria. Se quisermos explicar por que escolhemos este ou aquele preceito, sob o ponto de vista da própria análise do comportamento, devemos olhar para a história de contingências de quem faz a escolha.
