A Fé sob o Ponto de Vista do Edificante: Uma Interpretação do Discurso sobre a Expectativa da Fé
Matheus Maia Schmaelter
- Autor
- Matheus Maia Schmaelter
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 3
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.52521/poly.v18i3.16432
- Páginas
- e25049
- Idioma
- pt
Este artigo interpreta o conceito de fé sob dois pontos de vista distintos, seguindo a preocupação de Kierkegaard em evitar o falseamento de um conceito ao abordá-lo a partir de atmosferas inadequadas. O ponto de vista da autoridade, próprio do sermão, é analisado a partir de Martinho Lutero. Para o reformador, a fé cristã consiste na apropriação de Cristo como dádiva graciosa de Deus, exigindo do indivíduo a crença firme de que o nascimento de Cristo é para o seu benefício individual ("para vós ele nasceu"). Essa fé realiza uma ação no próprio crente, levando à salvação e, consequentemente, a uma ética da imitação de Cristo. O ponto de vista filosófico/edificante é abordado através do discurso de Kierkegaard, que, sem autoridade para pregar, usa categorias éticas da imanência. Para Kierkegaard, a fé é um bem acessível a todos e reside na subjetividade, servindo como critério de igualdade radical. A "expectativa da fé" é a vitória sobre a multiplicidade do porvir (possibilidade indeterminada), que se alcança ao fixar o olhar no "eterno" (a fé). Essa vitória permite ao indivíduo tomar sua subjetividade no presente e alcançar significação existencial. A diferença fundamental reside no conteúdo: enquanto Lutero trata da salvação pela fé em Cristo, Kierkegaard trata da edificação imanente da subjetividade
