A Imagem de Ciência de Thomas Kuhn e a Noção de objetividade científica. Contribuição à História de uma Mudança Conceitual em Processo
Marcelo do Amaral Penna-Forte
- Autor
- Marcelo do Amaral Penna-Forte
- Orientador(a)
- Jose Carlos Pinto de Oliveira
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
Como muitas das noções atualmente empregadas no debate filosófico sobre a ciência, o conceito de objetividade científica parece carecer de uma determinação precisa, capaz de promover uma base sóilda para o diálogo em meio a uma pluralidade de imagens de ciência hoje correntes. Além disso, o termo com frequência é utilizado por autores com diferentes abordagens sem uma preocupação especial com o fato de ele ser referido, em cada uma destas há problemas distintos. A noção é ainda corriqueiramente utilizada em diversos tipos de discursos sobre a ciência. Em textos de divulgação, manuais de metodologia, em ensaios apologéticos ou críticos em relação aos procedimentos científicos e em reflexões autobiográficas de filósofos e cientistas, não é raro que o termo esteja presente, seja como adjetivo-""""conhecimento objetivo"""", """"verdade objetiva"""", """"mundo objetivo""""-, seja na forma abstrata que parece conferir autoridade ao falante - """"a falta de objetividade de uma pesquisa"""", """"a objetividade de um relato"""". Como efeito deste aparente desleixe conceitual, é possível suspeitar que as situações de uso do termo sejam meros artifícios retóricos, destinados a enfatizar os valores próprios de cada ponto de vista. No entanto, mesmo para aqueles que estão dispostos a considerar tal suspeita esclarecedora, o reconhecimento do modo como está relacionada a noção de objetividade com outras noções e suposições em um discurso pode, ainda, responder pela questão sobre o sentido da objetividade científica.
