A INDEPENDÊNCIA COMO BASE PARA A VIRTUDE: A CRÍTICA DE MARY WOLLSTONECRAFT A JEAN-JACQUES ROUSSEAU
Rayane Batista de Araújo
- Autor
- Rayane Batista de Araújo
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2025v2n2p280-293
- Páginas
- 280-293
- Idioma
- pt
O objetivo do artigo é resgatar a crítica de Mary Wollstonecraft ao modelo de educação feminina de Jean-Jacques Rousseau no Emílio. O texto está estruturado em dois momentos. Primeiro eu apresento os argumentos de Rousseau para justificar modelos de educação distintos para meninos e meninas no livro V do Emílio, o que era a norma no século XVIII. Rousseau naturaliza a dinâmica entre homens e mulheres na sua época e justifica a relação de poder entre os sexos com base em suas constituições físicas. Ele argumenta que dada a diferença entre os sexos, os deveres e virtudes de cada um não são os mesmos e, portanto, eles devem receber socializações distintas. No segundo momento do texto, eu apresento os argumentos de Wollstonecraft para refutar Rousseau. Se opondo ao genebrino, a filósofa inglesa atribui a causa da condição da mulher na sua época à socialização por ela recebida. Ela defende que a mulher tem direito a uma educação com base nos mesmos princípios que a educação masculina porque, afinal de contas, a virtude não tem sexo. Ela defende ainda que a independência é a base da virtude, de maneira que não se pode esperar virtude de uma mulher dependente.
