""""A interdependência de mito e lógos - A racionalização na poética platônica"""".
Marta Rodrigues
- Autor
- Marta Rodrigues
- Orientador(a)
- Hans-Georg Flickinger
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1996
A proeminência da temática desta dissertação está focalizada no tratamento dado aos pares conceituais mito e lógos numa relação de interdependência. A demonstração desta relação é realizada a partir da análise da trilogia platônica """"Apologia - Críton - Fédon"""" que faz ver a racionalização dos elementos da poética. Tal argumentação é legitimada à luz da tese do primeiro excesso da """"Dialética do Esclarecimento de Adorno e Horckeimer que reje os seguintes termos: O lógos desvela o mito e, de certo modo, potencializa-o, ao mesmo tempo. Na primeira parte, apresenta-se o lugar destinado à poesia na filosofia platônica, como também, a censura feita aos poetas trágicos e sua justificativa que caracteriza-se pelo prisma ético que a poesia refrata aos olhos de Platão. Enquanto para Platão a poesia trágica é censurada, pois personifica maus exemplos, para Aristóteles é justamente no entrecruzamento de Mímesis e Práxis spoodaious que encontra-se o papel ético-cognitivo na tragédia clássica. No que diz respeito à relação entre poesia trágica e filosofia, pode-se dizer que os primeiros passos galgados pela subjetividade humana foram dados no âmbito da arte trágica, quando esta colocava em cena a própria consciência do homem enfrentando sua condição de mortal, finito e ao mesmo tempo, capaz de transcender estas limitações através da imortalidade atingida pela hybris do herói. No contexto da racionalização na poética platônica pode-se entrever o modo pela qual os elementos da tragédia sofreram este processo. Nisto consiste o caminho realizado pelo mito descobrindo-se enquanto lógos. Destarte amarra-se a interpretação de Adorno e Horckheimer cuja tese fica na análise das narrativas épicas. A proto-história do logos foi escrita à base do antropomorfismo. E o mito dá exemplo do esclarecimento: Nisso se observa a subjetividade operando com categorias ainda muito rudimentares, mas que revelam o impulso teórico, esposto no mito.
