Voltar para Artigos
Artigos

A metafí­sica e suas margens: : a diferença entre Heidegger e Derrida

Valeska Zanello

Autor
Valeska Zanello
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
1 / 2
Ano
2008
Páginas
85-101
Idioma
pt
2008Valeska Zanello. A metafí­sica e suas margens: : a diferença entre Heidegger e Derrida. Trilhas Filosóficas, v. 1, n. 2, p. 85-101, 2008.2

Heidegger, em Ser e Tempo, anuncia sua intenção de destruição da metafí­sica. Tomando como base a diferença ontológica, Heidegger aponta na história da filosofia para o equí­voco cada vez mais premente entre ser e ente, com um esquecimento do Ser, no qual este foi tomado como simples presença. Um problema que se apresenta então a Heidegger é a utilização da linguagem (com suas categorias metafí­sicas), para falar do ser de um modo não metafí­sico. Para Derrida, a diferença ontológica é, ainda, fruto de um pensamento metafí­sico, pois permanece dentro do binarismo tradicional "ser-ente", além de manter a hierarquia na qual a questão do Ser seria a mais fundamental. Derrida desenvolve então a noção de différance, segundo ele, mais originária e arquiestrutural que a diferença ontológica. Para ele, a différance não teria nome na lí­ngua, ela seria inominável. No entanto, o que tenta Derrida senão falar deste inominável, ainda que tangencialmente? O muro é, aqui também, a própria linguagem. É possí­vel fazer filosofia sem ser metafí­sico? O escopo desse artigo é debater os limites da crí­tica realizada à metafí­sica, apontando que ela seja possí­vel, talvez, apenas na justa diferença dos pensamentos.