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Dissertações

A Metafísica da Dor Existencial na Perspectiva do Filósofo Emil Cioran – O Último dos Metafísicos.

WAGNER ALVES GUEDES

Dissertação
Autor
WAGNER ALVES GUEDES
Orientador(a)
José Carlos Bruni
Universidade
FACULDADE DE SÃO BENTO — FSB
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2011
2011WAGNER ALVES GUEDES. A Metafísica da Dor Existencial na Perspectiva do Filósofo Emil Cioran – O Último dos Metafísicos.. 2011. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — FACULDADE DE SÃO BENTO, SP. Orientador(a): José Carlos Bruni.2

A presente dissertação busca uma reconstrução do pensamento cioraniano em relação à queda do homem no horror de sua existência. Para tanto, Emil Cioran se vale de uma árdua e contundente crítica ao positivismo e ao cientificismo, mecanismos utilizados como fuga da lucidez. Contudo, ao evitá-los, o homem cai no tédio e na angústia, sendo assim, é lançada uma terrível problemática: a total e aniquiladora inutilidade de nossa existência. . Ao cientificismo, diz que todo progresso é vão e ao positivismo, Cioran critica a propensão do homem à fé e a necessidade de um Deus regimental. Cético, ironiza Deus sem poupar-lhe inflamadas críticas. Em suma, o autor de Breviário de Decomposição, em algumas ocasiões atribui ao onipotente a grande amargura que é a vida, ironicamente, em outros, ignora totalmente sua existência. Considerado pela crítica como um dos grandes prosadores da língua francesa, doutrina por meio da retórica da negação, a ideia de que a origem da lucidez provém do mundo interior e não do exterior, não obstante, por esses pensamentos foi apontado como pessimista, paradoxal e por muitos, classificado como insano, epilético e profeta do desespero. . Em um primeiro momento, o trabalho busca um mapeamento biográfico do filósofo franco-romeno Emil Cioran (1911-1995), uma vez, que sua infância e juventude foram significadamente influentes em sua obra. Nota-se que ele próprio atribuiu a origem de seu pensamento despretensioso, sarcástico e inflamadamente demolidor à insônia, que o afligiu por toda a juventude. Nessa linha de raciocínio, ora mítica, ora cética, há a pretensão de alinhar a idéia da fugacidade intrínseca na criação de um Deus, ou seja, um demiurgo criado a fim de oferecer ao homem a fuga do tédio e da angústia a que se propõe nossa existência. Contudo, na existência “de fato” desse criador, seu tom tempestuoso não é percebido ou declarado por suas criaturas, daí a esperança e a alucinação em que são submetidos perante o onipotente. Na seqüência, a exposição se reporta à concepção de felicidade, enquanto satisfação empírica, e tende, por um lado, justificar sua negação no estado lúcido promulgado por Cioran. Por fim, dentro de uma perspectiva crítico sistemática, e a partir da análise do conceito, a esperança, o tédio e a angústia são igualmente expostos nos moldes cioranianos. . O tema não restringe Cioran a uma só obra, por isso comparece em várias: Nos cumes do desespero, História e Utopia, Exercícios de Admiração, Silogismos da Amargura, Breviário de Decomposição e Entrevistas, são citadas em meio a outros trabalhos e excertos atribuídos ao filósofo franco-romeno. Dentre muitos autores e literaturas, que parecem ter sua influência ou sua negação, e que cabem ao propósito exposto, também foram citados Nietzsche, Shopenhauer, Heidegger, Kierkegaard e Pascal, entre outros, uma vez que as leituras iniciais de Emil Cioran principalmente, circulavam esses autores.