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Dissertações

A relevância do cogito e de Deus na refutação cartesiana ao ceticismo

MARCELO ALVES NUNES

Dissertação
Autor
MARCELO ALVES NUNES
Orientador(a)
Draiton Gonzaga de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2002
2002MARCELO ALVES NUNES. A relevância do cogito e de Deus na refutação cartesiana ao ceticismo. 2002. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Draiton Gonzaga de Souza.2

O objetivo desta dissertação é analisar a refutação cartesiana ao ceticismo. Sustento que Descartes apresenta na Primeira Meditação duas diferentes formulações da dúvida cética: uma incide sobre o problema da possibilidade de estabelecermos em bases seguras um critério de verdade e a outra, sobre o problema do nosso acesso ao """"mundo externo"""" às nossas representações. A refutação do ceticismo sobre o critério de verdade se dá através da demonstração de que os resultados obtidos através deste mesmo critério são coerentes entre si. A refutação do ceticismo sobre o """"mundo externo"""" se dá através de uma """"prova"""" de que existe um mundo externo às nossas representações e de que este mundo pode ser adequadamente representado. Em cada uma dessas refutações do argumento cético Descartes pressupõe uma determinada concepção de verdade: """"verdade como coerência"""" no primeiro caso e """"verdade como correspondência"""" no segundo caso...Procuro mostrar que na refutação ao ceticismo sobre o critério de verdade Descartes assume a validade do critério apenas a título de hipótese. Procedendo deste modo, Descartes busca evitar o regresso ad infinitum criticado pelo ceticismo pirrônico. A exemplo do que ocorre no contexto da física, Descartes trata de validar esta hipótese tendo em vista sua conformidade à experiência. No contexto da metafísica o conceito de """"experiência"""" tem um sentido bastante específico e designa a apreensão, no domínio interno da consciência, das """"noções"""" e """"regras"""" mais gerais que presidem aos nossos juízos cognitivos. Em seguida, trato de mostrar que, ao buscar refutar o ceticismo sobre o """"mundo externo"""", Descartes parece cometer um erro categorial: ele emprega um critério de verdade fundado na noção de evidência - e que se mostrou válido no contexto de uma discussão em que a noção de verdade era compreendida como correspondência. Neste sentido, uma das principais conclusões a que chego nesta dissertação é que, no contexto das Meditações, a refutação ao ceticismo sobre o critério de verdade, na medida em que esta refutação parece não envolver um comprometimento direto com o que se convencionou denominar """"filosofia da consciência"""", parece ser mais relevante do que a refutação ao ceticismo sobre o """"mundo externo"""".