- Autor
- Leandro de Araujo Sardeiro
- Orientador(a)
- Eneias Junior Forlin
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Este trabalho discute o conceito cartesiano de Mathesis universalis tal qual ele.aparece nas Regulae ad directionem ingenii (1619-1628). O seu objetivo é apresentar uma.leitura de tal conceito que esteja de acordo com as idéias desenvolvidas no tratado citado,.mas considere também a apresentação material do manuscrito de Hannover (H), encontrado.por Foucher de Careil em meados do século XIX. A partir do trabalho de Jean-Paul Weber.(1964), pode-se dizer que esse tipo de leitura tornou-se quase obrigatória para estudos que.tomem a Mathesis universalis como argumento principal..Na regra IV, Descartes apresenta a Mathesis universalis como uma “ciência geral da.ordem e da medida”. O tratado das Regulae como um todo, por sua vez, nos apresenta o.conceito de “ordem” como aquilo que possibilita a própria inteligibilidade de um.determinado conhecimento. Essa ciência da “ordem e da medida” assume então, na.epistemologia cartesiana, o papel de sede mais geral da possibilidade de conhecimento. As.naturezas simples adquirem uma importância singular nesse contexto, em razão de.constituírem os objetos por excelência da “ordem” e assim satisfazerem completamente as.exigências da Mathesis universalis. Elas também se apresentam como o alvo principal do.trabalho das faculdades do ingenium, e mostram a centralidade das questões postas pela.“ciência da ordem e da medida” para as problemáticas das Regulae. No entanto, como.mostra o manuscrito de Hannover, todas as referências a algum tipo de Mathesis – seja ela.universal ou não – é conduzida a apêndice, o que nos faz levantar o questionamento acerca.da “significação” da Mathesis universalis, uma ciência de tal forma central na construção.do sistema das Regulae, mas que é apresentada como algo de segunda ordem, relegado a.apêndice.
