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Teses

A teoria dos dois mundos e o conceito de liberdade em Kant

Paulo César Nodari

Tese
Autor
Paulo César Nodari
Orientador(a)
Thadeu Weber
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2004
2004Paulo César Nodari. A teoria dos dois mundos e o conceito de liberdade em Kant. 2004. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Thadeu Weber.3

A tese, a teoria dos dois mundos e o conceito de liberdade em Kant, tem como objetivo principal mostrar que não é possível compreender o conceito de liberdade sem a referência à teoria dos dois mundos, sensível e inteligível, constituindo-se na condição de possibilidade para pensar e provar a liberdade. Esta não pode se alicerçar em algo empírico, mas tão-somente na razão autônoma. Por isso, compreendemos a teoria dos dois mundos, particularmente, na KrV, GMS e KpV, não como dois mundos separados, mas como capacidade do sujeito racional, enquanto inteligência, sem sair de si mesmo, de transferir-se para o mundo inteligível e se pensar como um ser livre, ainda que suas ações sejam possíveis só no mundo sensível. Com este intento, na primeira parte, estudaremos a KrV, especialmente a terceira antinomia da razão pura, e buscaremos mostrar: primeiro, o modo como Kant fundamenta a necessidade de uma transformação no modo de pensar; segundo, de que forma, à luz do projeto da filosofia transcendental, ele prova ser possível pensar a liberdade sem cair em contradição com a natureza, na medida em que esta não representa a totalidade das condições do conhecimento; terceiro, por que o interesse da razão pura tem em vista o uso da razão pura em âmbito prático e por que a razão pura em seu âmbito teórico não impossibilita seu uso em âmbito prático. Na segunda parte, com o foco de estudo centrado na GMS, investigaremos: primeiro, por que a boa vontade é a única coisa boa em si e boa sem limitação e qual é o princípio supremo da moralidade; segundo, em que sentido o imperativo categórico é o princípio objetivo da vontade e sua relação com a autonomia da vontade; terceiro, como a liberdade pode ser considerada a propriedade da vontade de todos os seres racionais, enquanto dela pode ser deduzida a lei moral, e por que a possibilidade do imperativo categórico está intimamente conectada com a distinção entre mundo sensível e inteligível, não ferindo em nada e não ultrapassando os limites da razão pura em seu âmbito prático. Na terceira parte, focalizaremos a KpV, mostrando: primeiro, em que sentido se pode provar a lei moral, enquanto fato da razão, como o princípio supremo da razão prática a priori e, por isso, expressão da autonomia da razão; segundo, como se dá a relação da lei moral com a teoria dos dois mundos; terceiro, em que medida a lei moral pode exigir o Soberano Bem como objeto da razão prática pura e como é possível sua conexão com o mundo inteligível, mundo no qual se pode falar de um início espontâneo absoluto pela causalidade da liberdade.