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Dissertações

A vida e a forma de si em Hegel - autopoiese e alças estranhas: infinito, mecanismo e organismo

Victor Ximenes Marques

Dissertação
Autor
Victor Ximenes Marques
Orientador(a)
Konrad Christoph Utz
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2009
2009Victor Ximenes Marques. A vida e a forma de si em Hegel - autopoiese e alças estranhas: infinito, mecanismo e organismo. 2009. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, CE. Orientador(a): Konrad Christoph Utz.2

A filosofia de Hegel é comumente qualificada de organicista. A presença ubíqua de metáfora orgânicas é um traço marcante de seus textos - e de fato uma importante pista para a adequada compreensão de seu pensamento. O vivo é constantemente, e nos mais distintos contextos, contraposto e elevado frente ao meramente mecânico e inerte. A utilização metafórica da noção de vida está intimamente associada ao tratamento conceitual que recebe tanto na Lógica como na Filosofia da Natureza - onde a vida aparece como a forma básica do Si, realização imediata da unidade entre objetividade e subjetividade. Pode parecer que nada seria mais estranho à ciência natural contemporânea do que a concepção especulativa de vida presente em Hegel, mas algumas propostas recentes da biologia teórica acham-se surpreendemente próximas desse conceito, na medida em que apontam para a organização circular dos organismos e enfatizam o caráter auto-produtivo do processo vital. A teoria da autopoiese, de Francisco Varela e Humberto Maturana, por exemplo, é um esforço de pôr a autonomia do ser vivo no centro da caracterização da biologia, e os sistemas (M,R), de Robert Rosen, são modelos impredicativos que escapam do regresso ao infinito fechando a cadeia de determinação sobre si mesma. Procuramos mostrar como essas teorias científicas recuperam elementos fundamentais da filosofia dialética e apontam para a atualidade da concepção de vida que podemos encontrar na obra hegeliana..Iniciando pela crítica da noção de infinito do entendimento, que exclui de princípio a circularidade, e passando pela exploração da categoria de mecanismo, que se fundamenta na ausência de um princípio de auto-determinação, concluímos que o entendimento não é suficiente para apreender a vida em sua verdade. Isso não torna a vida impensável, uma vez que o entendimento não esgota a razão, mas exige a generalização da ciência a partir do abandono da suposta universalidade das representações mecânicas a fim de incorporar modelos auto-referentes, capazes de dar conta de sistemas complexos. Nisso procuramos atualizar certos aspectos centrais à filosofia especulativa, e sua ontologia dialética correspondente, e demonstrar que a concepção de vida de Hegel permanece, na verdade, bem viva.