Voltar para Artigos
Artigos

A Voz e o Nada: a ontolinguística an-árquica de Giorgio Agamben

Andityas Soares de Moura Costa Matos, Antônio Lopes de Almeida Neto

Autor
Andityas Soares de Moura Costa Matos, Antônio Lopes de Almeida Neto
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
70 / 1
Ano
2025
DOI
10.15448/1984-6746.2025.1.47833
Páginas
e47833
Idioma
pt
2025Andityas Soares de Moura Costa Matos, Antônio Lopes de Almeida Neto. A Voz e o Nada: a ontolinguística an-árquica de Giorgio Agamben. Veritas (Porto Alegre), v. 70, n. 1, p. e47833, 2025.3

Este artigo investiga a filosofia da linguagem de Giorgio Agamben, destacando a sua dimensão imanente, veriditiva e an-árquica a partir da sua ideia de Voz. A linguagem não é, para o autor, mero meio de comunicação humana, mas um “ter-lugar” que possibilita uma experiência ética que, paradoxalmente fundada na ausência de fundamento, se traduz na noção de uma forma-de-vida capaz de se contrapor — e eventualmente destituir — a ontologia tradicional em que a linguagem aparece como propriedade caracteristicamente humana. Dessa feita, torna-se possível a radicalização do experimentum linguae referido pelo filósofo italiano em vários de seus textos, transformando-o em um experimentum vocis, ou seja, um tipo de testemunho, por parte dos viventes humanos, da autorrevelação da linguagem e da morada que encontramos nela a partir de seu uso. Um dos diferenciais deste texto reside na leitura preferencial de escritos de Agamben anteriores ao projeto homo sacer, com destaque para seus Cadernos (1972-1981) publicados em 2024 na Itália e que revelam como a linguagem e a an-arquia, longe de serem elementos marginas de sua obra, correspondem a seus verdadeiros eixos. Pode-se sustentar assim, em sede conclusiva, que muito mais do que uma simples e inespecífica “filosofia”, Agamben propõe ao longo de seis décadas de trabalho o que pode ser chamado de ontolinguística an-árquica.