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Dissertações

""""Ação,destino e deliberação na tragédia grega e na Ética aristotélica”.

Joyce Neves de Campos

Dissertação
Autor
Joyce Neves de Campos
Orientador(a)
Marcia Zebina Araújo
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012Joyce Neves de Campos. """"Ação,destino e deliberação na tragédia grega e na Ética aristotélica”.. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GO. Orientador(a): Marcia Zebina Araújo.3

O presente trabalho procura resgatar uma antiga (mas ainda atual) discussão sobre a ética das ações, que tem início na Antiguidade com as reflexões aristotélicas sobre a virtude. Nossa proposta parte de uma avaliação da ação trágica no contexto do pensamento aristotélico. O problema proposto se concentra em contrapor as antigas concepções de destino e deliberação, contidas, respectivamente, no pensamento religioso grego e no pensamento ético aristotélico. A noção de destino é questionada quando contraposta à noção de liberdade da vontade, isto é, à noção aristotélica de ação deliberada. Como eixo teórico da discussão, recorremos ao tratado da virtude moral do sobredito pensador antigo, em paralelo aos seus escritos sobre a arte poética, que também nos auxiliam, ao passo que nos remetem aos exemplos práticos, contidos nos dilemas de personagens dos grandes tragediógrafos gregos. À medida que o teatro também contempla uma reflexão sobre a ação humana, a tragédia grega abre espaço para a reflexão filosófica sobre a vontade que, para os antigos gregos, emerge num mundo marcado pelas determinações imutáveis dos seres divinos. Como não poderia deixar de ser, a ação humana é também objeto do pensamento ético aristotélico. Na filosofia do pensador, a vontade, a deliberação e a escolha configuram o complexo caminho a ser percorrido pela alma racional que delibera antes de agir, isto é, o ser humano, único ser capaz de decidir antes de agir. Deste ponto de vista, a responsabilidade das escolhas dos homens possui íntima relação com as conseqüências de seus atos. O bem agir está estreitamente relacionado ao caráter de cada um, o qual está, por sua vez, condicionado à sua formação pessoal. Para Aristóteles, a formação de um caráter virtuoso é fator decisivo na constituição do homem prudente que sempre delibera bem antes de agir. Todavia, mesmo o mais virtuoso dos homens é sucessível aos reveses da fortuna. A contingência do mundo, isto é, o acaso, se impõe neste sentido como um empecilho para a busca da eudaimonia, a felicidade, sumo bem humano. Modelo exemplar de tragédia para Aristóteles, o mito de Édipo de Sófocles, bem ilustra a condição do homem cuja sorte imposta pelos deuses não pode ser contornada, nem mesmo com as boas intenções do herói grego. Assim, sem abandonar o debate ético, retomamos a tragédia grega para apresentar uma reflexão sobre a contingência do mundo em contraposição à formação do caráter virtuoso, nos moldes do pensamento aristotélico. A atualidade da discussão se revela no questionamento da legitimidade de uma crença no destino, tal como denotada pelos poetas, mas também representada nos termos da concepção teológica de predestinação. Sem pretender um estudo da doutrina cristã, nos concentraremos em apresentar e contrapor estas duas concepções (destino e deliberação) para conduzir o leitor ao questionamento de que se uma crença conjunta nestes dois aspectos do agir humano (determinado e voluntário) não constituem, no final das contas, um paradoxo; sendo, pois esta a nossa tese. Procuraremos apontar como o pensamento filosófico aristotélico lidou com essas questões à partir da sua concepção de acaso, e como a Ética se serviu dos poetas trágicos em suas lições sobre a virtude, evidenciando, também, a importância da literatura em uma investigação filosófica destas questões....Palavras - chave: destino, deliberação, tragédia, ética, Aristóteles.