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ARTE COMO TECNOLOGIAS POÉTICAS

Charliston Pablo do Nascimento

Autor
Charliston Pablo do Nascimento
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 52
Ano
2025
DOI
10.13102/ideac.v1i52.12381
Páginas
203-243
Idioma
pt
2025Charliston Pablo do Nascimento. ARTE COMO TECNOLOGIAS POÉTICAS. Revista Ideação, v. 1, n. 52, p. 203-243, 2025.3

É necessário superar a compreensão restritiva e unilateralmente determinada do conceito de arte, cuja definição e aplicação correntemente se apoiam em critérios e dinâmicas instituídos pela chamada “era da arte”. Essa proposição não deve ser entendida apenas de modo prescritivo, mas sobretudo reflexivo: trata-se do reconhecimento de que tal concepção deriva de um recorte cultural específico, de matriz valorativa, empregada de forma arbitrária para descrever um fenômeno que não lhe é exclusivo, mas global, plural e passível de reconhecimento nas mais diversas culturas, inclusive nas ancestrais. No presente artigo, proponho que obras de arte são, em princípio, “tecnologias poéticas”, expressão que emprego para designar os múltiplos modos de artefatualização que instauram no habitat um ambiente de autorreferência à própria cosmovisão. Defenderei, ademais, que a arte corresponde a uma forma de artefatualização de caráter pluriversal e transcultural, e distinta, embora não oposta, à dos objetos operacionais.