AS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS E O ENSINO DE FILOSOFIA: : POSSIBILIDADES E PERSPECTIVAS
Emiliano Kelm Duet Chagas
- Autor
- Emiliano Kelm Duet Chagas
- Revista
- Problemata - Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 15 / 1
- Ano
- 2024
Neste artigo busco situar as competências socioemocionais, tais como estas são mencionadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em meio à duas perspectivas antagônicas que as tematizam no debate contemporâneo: a perspectiva crítica proveniente do materialismo histórico dialético e a concepção favorável à tais competências cujas origens remontam à Escola Nova. Estabeleço este contraste com o intuito de compreender se as competências socioemocionais são unicamente um mecanismo de coerção e consenso frente às transformações no mundo do trabalho, como indica a concepção crítica, ou se estas podem possibilitar não apenas um ganho de linguagem no que diz respeito à dimensão dos afetos, mas também o desenvolvimento de disposições afetivas pró-sociais, tão necessárias à defesa e ao cuidado de um mundo compartilhado.. A filosofia, por sua vez, foi compreendida ainda na antiguidade como um pensamento capaz de alterar o modo de ser e de agir do indivíduo que com ele faz contato. Cabe problematizar, portanto, os modos pelos quais esta disciplina pode se relacionar com as competências socioemocionais desde uma perspectiva crítica, alinhada ao propósito de contribuir para a formação de sujeitos atitudinalmente capazes de ir além do interesse próprio em prol da preservação e sustentação do bem comum.
