AS FORMAS DA RAZÃO NO PENSAMENTO DE SCHOPENHAUER E A POSSIBILIDADE DE UMA RAZÃO ÉTICO-MÍSTICA
Vilmar Debona
- Autor
- Vilmar Debona
- Orientador(a)
- Jair Lopes Barboza
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
O estudo almeja indicar as formas do conceito razão no pensamento de Schopenhauer, quais sejam, a razão teórica, a razão prática e a razão ético-mística, sendo que esta última não foi mostrada conceitualmente pelo filósofo. A primeira dessas formas serve-se do entendimento e num processo de decantação das representações intuitivas molda as representações abstratas mostrando-as através dos conceitos. Quanto à razão prática, após uma investigação do modo pelo qual ela é indicada em O Mundo como vontade e como representação como uma das vantagens da razão teórica, a pesquisa indica a extensão da mesma nos Aforismos para a sabedoria de vida, principalmente mediante o chamado caráter adquirido. Sobre a razão ético-mística, o presente trabalho aponta que, semelhante ao que acontece no âmbito da estética, quando o contemplador desloca-se das necessidades do princípio de razão e perde-se por instantes num mundo não submetido a relações espacio-temporais, a intensificação da negação da vontade pode levar à compaixão no domínio da ética e, mais ainda, à ascese no campo da mística. Ora, é nesse aumento gradual da negação, no denominado conhecimento do todo da vida, essencialmente intuitivo, que se verifica a atuação da razão. Assim, se a intuição ocorrida neste conhecimento excepcional chega a confundir-se com a mística, esta tomada de biografias de santos, e situa-se no plano ético, há, então, uma razão ético-mística em Schopenhauer? O estudo defende que há um exercício racional que acompanha esse raro processo. Para tanto, os argumentos são, sobretudo, os de que: 1) a Vontade, após conhecer-se, mediante seu processo de Objektität, decide-se pela continuidade de sua afirmação ou então por sua própria negação; 2) o asceta, após chegar pela primeira vez (por meio de uma intuição súbita) ao conhecimento do todo da vida, opta por continuar ou não com ele e com a negação da vontade; decisão indicada nessa filosofia pelo fato de advir, na ascese extrema, uma clarividência da razão (Besonnenheit der Vernunft). Desse modo, embora se trate do fim das conceituações, isto é, do limite do “negócio” por excelência do filósofo, ainda há um papel da razão no momento de sua própria despotencialização.
