ASPECTOS FILOSÓFICOS DA DOUTRINA ÉTICO-POLÍTICA DE SANTO AGOSTINHO.
SILVALINO FERREIRA ARAÚJO
- Autor
- SILVALINO FERREIRA ARAÚJO
- Orientador(a)
- JORDINO ASSIS DOS SANTOS MARQUES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1997
O cristão é um cidadão do universo e não mais de uma pólis particular. Assim, ele deve obediência às leis, como faziam os cidadãos atenienses ou romanos, mas sua pátria não tem mais as mesmas fronteiras, não se limita a um espaço e a um tempo determinados. As leis por sua vez não são mais as constituições escritas pelos homens, mas a própria lei divina, que os homens devem se esforçar para conhecer. A política tem uma função positiva, pois é só através de leis que se pode evitar a irrupção da barbárie entre os homens. Suas referências são assim as ações concretas, suas leis visam punir aqueles que atentam contra a ordem e a paz. Há uma preocupação muito relevante sobre a vida do homem terreno com o objetivo de assegurar uma vida voltada para a paz, a alegria e a felicidade. O Estado torna-se importante para o discurso agostiniano exatamente porque pode tornar suportável a vida dos eleitos de Deus em sua passagem pela terra. Nesse sentido, ele tem a mesma dignidade da Igreja visível, em sua missão de defender e espalhar a palavra de Deus. A tarefa do Estado é de outra natureza, não é teocrática, certo, mas não menos fundamental. Ele tem a missão de assegurar a paz, regular a violência coletiva e individual, garantir o estado de propriedade, decretar a guerra justa e dar-nos a harmonia para habitarmos no mundo corrompido pelo pecado. Os seus instrumentos são a força e a ameaça que tendem a dominar a natureza pervertida do homem, visando a conservação da ordem.
