""""ASPECTOS SAGRADOS DO MITO E LÓGOS: POESIA HESIÓDICA E FILOSOFICA DE EMPÉDOCLES""""
Ivanete Pereira
- Autor
- Ivanete Pereira
- Orientador(a)
- Rachel Gazolla de Andrade
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
A pesquisa analisa alguns aspectos do sagrado mítico vivenciado na Grécia arcaica, buscando visualizar uma parcela desses aspectos em textos filosóficos. Como base para o estudo do tema no período arcaico, utiliza-se algumas passagens da Teogonia de Hesíodo, e, como exemplo de texto filosófico impregnado da sacralidade do primeiro, seleciona-se alguns versos dos poemas Sobre a Natureza e Purificações, do filósofo pré-socrático Empédocles...A pesquisa compõe-se de três capítulos, assim desenvolvidos:..Capítulo I - Estuda-se as origens do sagrado mítico arcaico da poesia hesiódica, iniciando-se com o exame de algumas características de Micenas, sociedade lendária fundada na realeza divina, na qual encontra-se o gérmem da palavra sagrada do aedo, estudada no segundo capítulo. Neste contexto de recolhimento mítico-histórico, examina-se influências e heranças da tradição oriental mesopotâmica na Teogonia, especialmente quanto aos mitos de soberania, presentes na poesia hesiódica e, mais tarde, refletidos na filosofia empedocleana...Os autores J. P. Vernant, M. Detienne, M. Eliade, M. I. Finley e F. M. Cornford , B. Snell, A. Leski, O. Gigon, G. S. Kirk, J. E. Raven e M. Schofield, são os guias desta etapa...Capítulo II - Busca-se resgatar a concepção de alétheia na Grécia arcaica, recolhendo nos textos alguns significados de hiéros. Analisa-se os elementos divinos solidários da palavra sagrada vinculada às atividades poética, mântica e de soberania, estudando o lógos alethés como solidário das divindades Musas e Mnemosyne. Esboça-se também considerações acerca dos termos mýthos, lógos e aléthea, conforme H. G. Gadamer, J. P. Vernant, M. Detienne e F. M. Cornford. Estuda-se o """"sagrado em si mesmo"""", conforme autores que buscam resgatar concepções arcaicas, entremeando-as com conceitos modernos, como J. A. A. Torrano, R. Otto, W. Otto, B. Snell, H. G. Murachco, J. G. Frazer, W. Dilthey e M. Eliade. ..III - No terceiro capítulo, estuda-se textos selecionados de Empédocles, que além de philósophos é theiós anér (homem sagrado), segundo ele próprio. Após biografia, baseada na doxografia de Diógenes Laércio e em historiadores da filosofia (E. Bréhier, G. S. Kirk, J. E. Raven, M. Schofield, J. Burnet, J. Brun), analisa-se pontos do poema Sobre a Natureza, iniciando com a leitura clássica de Aristóteles. Em seguida, aborda-se a cosmologia empedocleana, com o auxílio dos intérpretes G. S. Kirk, J. E. Raven, M. Schofield, F. M. Cornford, W. Jaeger, J. Bollack, E. Bréhier, J. Burnet, J. Brun., E. Bréhier e S.M. Darcus, e através do teor dos próprios fragmentos, apontando alguns elementos míticos...A parte final é dedicada à comparação dos significados do sagrado, recolhido nos primeiros capítulos, com os sentidos encontrados em fragmentos das Purificações. Busca-se demonstrar que Empédocles herdou certos aspectos míticos do aedo arcaico, acrescentou a eles aspectos místicos da religião órfico-pitagórica, e que sua filosofia está em estreita relação com ambos os aspectos sagrados. Além dos próprios fragmentos, norteiam esta etapa: W. Jaeger, F. M. Cornford, J. Brun., P. Seligman, A. Dellate, S. M. Darcus e Platão.
