CONFLITOS DE DEVERES E DILEMAS MORAIS: UMA.PROBLEMATIZAÇÃO A PARTIR DA.TEORIA MORAL DE I. KANT
Lauren de Lacerda Nunes
- Autor
- Lauren de Lacerda Nunes
- Orientador(a)
- Ricardo Bins di Napoli
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
O presente trabalho busca problematizar a questão dos conflitos morais ou conflitos.de deveres na teoria ética kantiana e nas posteriores contribuições contemporâneas.para a referida discussão. Em um primeiro momento, caracteriza-se o conceito de.conflito moral “em si”, fora da esfera da teoria kantiana, para que se compreenda a.relevância intrínseca dessa temática. Por meio da caracterização fica demonstrado.que a mera afirmação dos conflitos morais é capaz de suscitar consequências.importantes em teoria moral normativa e em teoria metaética, e que a negação.kantiana dos conflitos morais merece por isso, ser aprofundada. Dessa forma, em.um segundo momento adentra-se propriamente na teoria kantiana. A abordagem do.conflito de deveres por Kant é explicitada através da exposição da passagem da.Metafísica dos Costumes, na qual este menciona que uma colisão de deveres é.“inconcebível”. A busca pelo esclarecimento acerca desta negação é feita por meio.da exploração de outras obras kantianas, como a Crítica da Razão Pura, a.Fundamentação da Metafísica dos Costumes e a Crítica da Razão Prática. Além.disso, as vozes contemporâneas no debate também são utilizadas com o intuito de.estabelecer o argumento kantiano. Autores como McConnell, Brink, Donagan entre.outros, ocuparam-se também da negação dos conflitos morais e com o auxílio.destes é possível vislumbrar o que seria o argumento kantiano “inteiro” contra os.conflitos morais. Mostra-se também, que tal argumento se baseia principalmente em.dois princípios metaéticos: o Princípio de Kant e o Princípio de Aglomeração. Uma.análise de tais princípios também é realizada. Em um terceiro momento abordam-se.as teorias que defendem, ao contrário de Kant e seus seguidores, a existência e.genuinidade dos conflitos morais. Essas teorias inicialmente partiram da ideia do.resquício afetivo (arrependimento, culpa ou remorso), como é o caso de Williams e.de Marcus, entre outros. Gowans, implementa a defesa dos conflitos ao sustentar a.ideia do erro moral inevitável, que postula que seja qual for a alternativa de ação.seguida por um agente, diante de alguns conflitos, ele incorrerá em erro moral, e.sentir-se-á moralmente arrependido ou aflito após a decisão. Gowans, defende.também uma teoria das “Responsabilidades para com Pessoas” criada com o intuito.de “acomodar” a ideia de tal erro inevitável nos conflitos morais. A teoria de Gowans.mostra-se eficaz no trato de tais questões, embora perca um pouco em.generalidade, pois foca-se apenas em alguns casos específicos de conflitos. A.resposta kantiana a mais este problema (do erro moral inevitável) também é.explorada ao final deste trabalho. Esta se baseia principalmente na ideia da.7.superioridade da lei moral perante o individuo particular e na fórmula da.humanidade como fim em si. Contudo, revela as dificuldades que a teoria moral.kantiana encontra ao lidar com conflitos morais que envolvam responsabilidades do.agente para com pessoas próximas.
