CORPOS DISPONÍVEIS: ANÁLISE FOUCAULTIANA DO DISCURSO DO SANITARISMO, DA GENÉTICA E DA EUGENIA
Rogério Pereira Xavier
- Autor
- Rogério Pereira Xavier
- Orientador(a)
- Ines Lacerda Araujo
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
A presente dissertação busca analisar o discurso biomédico, notadamente a genética e o sanitarismo, com base no pensamento do filósofo francês Michel Foucault e suas categorias analíticas de biopoder e de controle populacional. Abordar esses temas situando-os como discursos de uma certa época, representa uma tentativa de retirar a ciência médica dos círculos de discussão puramente técnicos e metodológicos, e olhá-la por um inusitado viés de jogos de poderes e saberes, que muitas vezes são suscitados por fatores econômicos e biopolíticos; ao mesmo tempo evita-se cair em discussões de valoração moral, típicas das análises bioéticas. Utilizando-se a análise discursiva é possível detectar, desde o século XVIII até hodiernamente, séries de continuidades e de rupturas no conceito de higiene social. Conceito este ora utilizado pelo sanitarismo (higiene microbiológico e urbano), ora pela genética (higiene social contra os de generados). Desta forma, opera-se uma guerra tanto contra os microorganismos patológicos, como contra os anormais em busca da defesa da sociedade e da governamentabilidade. Neste sentido, este trabalho é uma tentativa de mostrar como os corpos, no decorrer da história, foram sendo disponibilizados para a terra, para o comércio mercantil, para a indústria e, finalmente, para o mercado econômico. Ele almeja empreender uma história do presente, ou seja, almeja demonstrar como a genética foi se tornando um discurso tão poderoso em nossos dias – a ponto de ser temida pelo seu excesso de biopoder eugênico – herdando estratégias de controles típicas do sanitarismo.
