Crítica de Gould ao neodarwinismo: a ampliação do horizonte explicativo da teoria evolutiva contemporânea
ANDERSON BARBOSA FELIZARDO
- Autor
- ANDERSON BARBOSA FELIZARDO
- Orientador(a)
- ERNESTO PERINI FRIZZERA DA MOTA SANTOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A presente dissertação tem dois objetivos principais: o primeiro é explicitar o debate teórico entre a teoria sintética da evolução ou neodarwinismo, e um de seus principais oponentes, o paleontólogo e evolucionista Stephen Jay Gould: o segundo consiste em avaliar, com base na crítica gouldiana, a real necessidade de alargamento dos explananda da teoria da evolução, e em que medida a expansão naquilo que a teoria deve considerar aponta em direção a um novo paradigma evolutivo. O quadro teórico da teoria sintética foi elaborado por autores de várias áreas ao longo do século XX, e começou a ser contestado em meados dos anos 70, pela oposições feitas à teoria com base em dados científicos conflitantes que não cabem no escopo explicativo neodarwinista, gerando novas especulações e hipóteses sobre os mecanismos da evolução. A teoria sintética afirma que a evolução se realiza lenta e gradualmente, tendo a seleção natural como principal agente nesse processo, com as espécies se adaptando ao meio. Dentre as críticas realizadas por Gould e seus colaboradores, três são fundamentais: a crítica ao rítmo da evolução ou gradualismo, que é efetuada pela teoria do equilíbrio pontuado em 1972; a segunda é conhecida como crítica ao programa adaptacionista, empreendida em 1979, e é focada sobre a afirmação de que todas as características dos organismos resultam do modo como eles se adaptam para sobreviver e gerar descendência; a terceira crítica é uma retomada detalhada dos pontos anteriores para demonstrar o caráter contingente do processo evolutivo. Gould sinaliza a necessidade da revisão e expansão nos pressupostos da teoria evolutiva, reconhecendo a relevância de mecanismos que devem ser levados em conta nas explicações evolutivas. Estes elementos devem ser explicados por uma teoria da evolução mais completa, cobrindo lacunas explicativas que a teoria sintética e seus postulados não conseguem resolver. Não existe nenhuma nova teoria da evolução, mas sim, a necessidade de tornar mais preciso o esquema geral darwiniano, adequando a teoria aos fatos que exigem alguma explicação. Não é propósito deste texto explicitar os pormenores da teoria da evolução pela seleção natural, tal como elaborada por Drawin, nem se aprofundar em discussões relativas ao campo da biologia estrita. A partir do debate exposto, buscaremos avaliar em que medida uma reestruturação da teoria evolutiva é efetivamente necessária, e se a obra de Gould, em seu todo, oferece um novo modelo ou paradigma para biologia evolutiva e por extensão para toda biologia.
