Da impossibilidade à transcendentalidade da ética: um estudo da conferência sobre ética de Ludwig Josef Johann Wittgenstein
Aluisio Miranda Von Zuben
- Autor
- Aluisio Miranda Von Zuben
- Orientador(a)
- Bortolo Valle
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
A pesquisa realiza um estudo sobre a transcendentalidade da ética e apresenta alguns traços caracterizadores desta noção no pensamento de Wittgenstein mais especificamente na primeira fase de sua filosofia. O estudo faz uma análise da Conferência sobre Ética comparando-a ao Tractatus Lógico-Philosophicus para, do cotejo entre ambas, indicar sua complementaridade na compreensão da função transcendental da ética. De início a preocupação foi apresentar a impossibilidade de um discurso ético uma vez que o mesmo ultrapassa os limites da linguagem significativa. Para tanto, fez-se necessário expor a teoria da afiguração da linguagem cujo fundamento é a igualdade na forma lógica entre os fatos e as proposições. Assim, foram abordadas as noções de “fato”, “estado de coisas” e “coisa” e suas respectivas correspondências às noções dos elementos constituidores da linguagem, “proposições complexas”, “proposições elementares” e “nomes”. Esta questão acarretou na exposição do problema do sentido, do significado e do valor de verdade das proposições, bem como da conseqüente distinção entre proposições figurativas, proposições sem sentido e contra-sensos. Como conseqüência foi necessário trabalhar a fundamental diferenciação entre o “dizer” e o “mostrar”. Este percurso culminou na conclusão de que o Tractatus tem como principal objetivo evidenciar a impossibilidade da ética ao mesmo tempo em que aponta de modo pouco compreensível, sua transcendentalidade. Posteriormente, a investigação buscou considerar a Conferência sobre Ética como uma obra em que, pela forma da abordagem, Wittgenstein conseguiu clarificar a noção de transcendentalidade da ética, por meio da indicação da idéia de “tendência do espírito humano”, de forma que sua inefabilidade seja a maior evidência de sua transcendentalidade. Finalmente, justificou-se a tese de que a lógica e a ética são antípodas e, ainda assim, transcendentais e complementares na “conversão” do mundo dos fatos em mundo dos valores. Para tanto, se fez necessário colocar em evidência a concepção do eu como ponto de convergência dos transcendentais lógico e ético, resultando na definição do eu como limite do mundo. Em conclusão, indicamos que a ética, embora inefável, se mostra na vida feliz.
