Da medicina não hospitalar ao hospital médico: uma leitura das análises de Michel Foucault sobre a história da medicina
Washington Luiz Souza
- Autor
- Washington Luiz Souza
- Orientador(a)
- Salma Tannus Muchail
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Este estudo tem por objetivo, a partir da leitura da obra de Michel Foucault, apresentar a transição da medicina clássica (séculos XVII e XVIII) à medicina moderna (séculos XIX e XX), como momento de ruptura, em oposição à tese da evolução teleológica proposta pela historiografia médica tradicional. No plano institucional, serão abordadas as dicotomias entre as práticas médicas e as instituições hospitalares clássicas, situando o nascimento do hospital médico terapêutico como um fato próprio da modernidade. Esta dissertação procura explicitar que a medicina clássica classificatória das espécies patológicas, era um saber fundamentado na história natural e chegou ao seu limite no final da Idade Clássica, quando saberes originários da biologia, a exemplo da anatomia e da fisiologia, foram aplicados ao estudo das patologias criando a medicina empírica moderna. A medicina moderna se constituiu como um saber de outra ordem, com sujeito, objeto, conceitos e métodos absolutamente distintos. Contudo, essa mutação não se deu em virtude do aperfeiçoamento dos conhecimentos e das práticas, mas por meio de estudos desenvolvidos fora do campo médico, alheios à intencionalidade da razão médica. Não se justificaria, portanto, pensar a história da medicina em termos de continuidade evolutiva, cabendo descrevê-la, ao contrário, como uma história descontínua e não progressiva
