- Autor
- LUAME CERQUEIRA
- Orientador(a)
- IVAIR COELHO LISBOA RNIF
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Deleuze apresenta-nos uma maneira inédita de pensar a arte, tomando-a ela própria como um modo de pensamento. Ao lado da ciência e da filosofia, a arte também consiste em uma expressão do pensamento, ainda que cada qual seja irredutível e se produza necessariamente com seus próprios meios. Sobretudo, a arte é instauração de sensações, isto é, na medida em que este último termo nada tem a ver com a correspondência cognitiva entre sujeito e objeto. Ora, pela natureza excessiva da arte, nenhuma percepção, memória pessoal e nenhum estado subjetivo ou sentimento são capazes de produzi-la ou alcançá-la, quer como causa, quer como efeito. Exige-se que a arte seja capaz de se sustentar sozinha, independentemente de todo criador, espectador ou modelo. Dessa maneira, enquanto bloco de perceptos e afectos, a arte não tem por função representar o mundo ou atualizar algo preexistente, antes, cria possíveis. O plano de composição estético é autônomo e implica uma condição de vibração ou excitação da sensação, sem seu prolongamento motor, orgânico. Abrir-se ao Fora, campo imanente de forças, é condição da individuação artística, explicitando o caráter essencialmente inumano da arte e seu desenvolvimento presente na natureza, começando mais precisamente com a urgência qualitativa e não-funcional do recorte territorial que o animal pode fazer. Assim, livre de toda organicidade, motricidade e pessoalidade, o artista acaba por criar singularidades que não cabem no campo do entendimento e do reconhecimento, fundando sempre uma nova maneira de pensar. Vendo-se livre da representação, abandona-se a vontade de verdade e uma outra vontade se torna soberana no espírito – a vontade de potência. Eis o sentido mesmo da instauração das sensações: elevar o falso à enésima potência.
