DISCURSO, VERDADE E JUSTIFICAÇÃO: O Problema da Verdade na Pragmática Formal de Jürgen Habermas
Clístenes Chaves de França
- Autor
- Clístenes Chaves de França
- Orientador(a)
- José Maria Arruda de Souza
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
O objeto desta dissertação é a teoria consensual da verdade de J. Habermas. O objetivo principal é responder às seguintes indagações: a) é ou não a teoria consensual da verdade uma legítima teoria da verdade, ou, antes, seria ela uma teoria da justificação? e b) em sendo uma genuína teoria da verdade, estruturar-se-ia ela como uma teoria Realista ou Anti-realista da verdade? Visando oferecer um pano de fundo adequado para responder a essas indagações desenvolvo no primeiro capítulo uma discussão acerca de como deve ser uma legítima teoria da verdade e a diferença entre ela e uma teoria da justificação. A partir do que foi estabelecido no primeiro capítulo, procuro responder aos dois questionamentos principais em torno dos quais se estrutura esta dissertação, após apresentar de forma detalhada a teoria consensual formulada por Habermas em seu artigo de 1972 Wahrheitstheorien. No terceiro capítulo, discuto as retificações que Habermas efetivou em sua proposta inicial de teoria da verdade, em seu livro Wahrheit und Rechtfertigung, em 1999, tendo em vista a necessidade de incorporar elementos realistas inevitáveis presentes nas ações de sujeitos capazes de ação e fala. As mudanças introduzidas por Habermas alteram de tal modo sua concepção original de verdade que se faz necessário re-avaliarmos a nova concepção em torno daquelas duas indagações iniciais. Os resultados principais desta dissertação indicam que Habermas em suas formulações iniciais havia desenvolvido uma genuína teoria Anti-Realista da verdade, mas que suas reformulações o levaram a abandonar a tarefa de oferecer uma legítima teoria da verdade em prol de uma teoria da justificação.
