Do otimismo marxista ao pessimismo scopen-haveriano em Horkheimer
Robespierre Alconfor M. de Paula
- Autor
- Robespierre Alconfor M. de Paula
- Orientador(a)
- José Nicolau Heck
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
O pensamento de Max Horkheimer sofre uma profunda transformação a partir da década de quarenta. Até então, os ensaios hokheimerianos deixam transparecer a incontestável influência do otimismo revolucionário marxiano. O autor da Escola de Frankfurt introduz a subjetividade como novo elemento na análise das relações sociais e econômicas, reassegurando a possibilidade da ação transformadora por meio da crítica. Trata-se, sobretudo, de um pensamento otimista que encontra na psique a justificativa da incompatibilidade entre as profecias marxianas e a realidade, e reacende o ideal revolucionário apresentando novas armas para novos obstáculos. A autofagia capitalista é substituída pela anamnese freudiana e a humanidade assiste à confecção de novos roteiros insurrecionais. Através do resgate mnemônico, Horkheimer pretende evidenciar o caminho pelo qual a espécie humana renuncia à razão, passando a adaptar-se mimeticamente à imposições alheias à sua realização. A humanidade no divã afigura-se o símbolo de uma estratégia decisiva no desenvolvimento da crítica e negação de um mundo de iniquidades. Não obstante, a filosofia de Horkheimer, através de um processo contínuo, transubstancia-se em descrença nas luzes da razão. A espera pelo esclarecimento assegurado pelo paradigma marxista-hegeliano se faz excessivamente longa, desafiando a crença no potencial revolucionário do homem, bem como na trajetória linear e progressista do processo histórico. Deparamo-nos com a estupefação de Horkheimer diante da insistência de uma barbárie estranha às expectativas de transformação social por meio do despertar da consciência crítica. A história segue imprimindo seus próprios movimentos, a despeito de tudo o que dela se espera, levando o Horkheimer tardio a afirmar que os sonhos da espécie humana nunca estiveram tão longe de ser realizados. Através da mesma anamnese com a qual o autor outrora pretendera libertar a humanidade, buscaremos compreender o caminho percorrido pelo autor mediante conhecimento dos impulsos justificadores de seu movimento. Pretendemos diante deste universo teórico evidenciar as possíveis influências ou motivos desta radical transição conceptual. Do otimismo marxista ao pessimismo metafísico de Horkheimer alianças e divergências apresentam-se-nos, auxiliando-nos na compreensão da evolução filosófica do pensador frankfurteano. Supomos que a influência de Arthur Schopenhauer seja fundamental nessa mudança de conceitos. Seja na história compreendida como um rodar cego de decepções eternas, seja na complacência demonstrada ao homem incapaz de elevar-se de sua ignorância, o filósofo prussiano surge como a caricatura do pensamento final de Horkheimer.
