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Dissertações

DO “OUTRO” DA DIALÉTICA DO SENHOR E DO ESCRAVO DE HEGEL AO “GRANDE OUTRO” DE LACAN, NA CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO

Vera Lucia da Silva Alves

Dissertação
Autor
Vera Lucia da Silva Alves
Orientador(a)
Daniel Omar Perez
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2011
2011Vera Lucia da Silva Alves. DO “OUTRO” DA DIALÉTICA DO SENHOR E DO ESCRAVO DE HEGEL AO “GRANDE OUTRO” DE LACAN, NA CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO. 2011. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Daniel Omar Perez.3

Esta é uma pesquisa acerca do percurso teórico de Lacan sobre o conceito do grande Outro, no período de 1938 até o início da década de 60. Naquele período observou-se que Lacan se serviu de variadas correntes de pensamento e, notadamente, da filosofia de Hegel. Constatou-se que o psicanalista recorreu inúmeras vezes à filosofia hegeliana, especialmente, à dialética do senhor e do escravo, apropriando-se desta dialética ilustrativa como uma medida comparativa para ancorar sua teoria, bem como, para dirigir inúmeras críticas a ela e, também, a vários outros interlocutores. Contudo, apesar de todas as suas críticas, o sujeito lacaniano se constitui a partir das identificações imaginárias e simbólicas – que são essencialmente alienantes e provocam efeito semelhante ao da dialética do senhor e do escravo. Assim, entendeu-se que em ambas as doutrinas – de Lacan e de Hegel – o “Outro” é onipotente e determinante, e o “eu” seu objeto - ambas são balizadas pelo reconhecimento. Todavia, esse ponto de aproximação entre os autores é também, paradoxalmente, o ponto de separação. Isso porque o conceito do “Outro” foi considerado ambíguo, já que Lacan o articulou nos três registros: real, simbólico e imaginário. Assim, na mesma medida em que o “Outro” é imprescindível à constituição do sujeito é, também, o que aponta para a possibilidade de retificação subjetiva, isto é, para a mudança de posição (objetal) do sujeito do inconsciente originalmente constituído – separação. Contudo, nesse período ao qual se limita essa dissertação, notou-se que Lacan não utilizou efetivamente o registro do real, apesar de já tê-lo sob mira teórica – conforme inúmeras citações a seu respeito – priorizando os campos do imaginário e simbólico. Primeiramente observou-se que Lacan situou o “eu” como instância de desconhecimento, de ilusão e alienação e com função de síntese (estádio do espelho). Assegurou que ele é fruto das relações duais e das identificações imaginárias, ressaltando os fenômenos de amor, ódio e ignorância – próprios do registro imaginário. Em seguida, assistiu-se Lacan distanciar o sujeito do inconsciente do “eu”, e inaugurar o “Outro” sem barra (A), como instância simbólica, imprescindível na constituição do sujeito do inconsciente. Lacan localizou o “Outro” no campo da linguagem e priorizou o significante. Afirmou que o “Outro” antecede e prescreve o sujeito, e que o significante do “Outro” (S1) sentencia o sujeito e confere uma obscura autoridade ao “Outro”. Sabe-se que o efeito tanto da identificação imaginária quanto da simbólica é alienação. Assim, enquanto Lacan não incluiu o campo do real, sua teoria se semelhou à de Hegel, mesmo com as suas críticas, a saber: restringiu-se excessivamente ao imaginário e deu demasiado valor à consciência. Portanto, enquanto o sujeito estiver na posição de alienação ao “Outro” (A), enquanto não reconhecer o “Outro” como faltante (?), ele ocupa um dos dois lugares clássicos da dialética hegeliana – do senhor ou do escravo. Nesse sentido, qualquer dos lugares que ocupe é uma posição de objeto, pois ambos estão submetidos ao reconhecimento do “Outro” para existir.