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Dissertações

Do Ressentimento à Gaia Ciência. A Função da Arte na Terceira Dissertação de 'Para a Genealogia da Moral' de Nietzsche.

Rodrigo Cumpre Rabêlo

Dissertação
Autor
Rodrigo Cumpre Rabêlo
Orientador(a)
Oswaldo Giacoia Junior
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2007
2007Rodrigo Cumpre Rabêlo. Do Ressentimento à Gaia Ciência. A Função da Arte na Terceira Dissertação de 'Para a Genealogia da Moral' de Nietzsche.. 2007. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): Oswaldo Giacoia Junior.2

O texto visa evidenciar e depurar a função da arte no interior da análise crítica do ascetismo entendido como subseqüência do ressentimento, função essa necessariamente imbricada com a idéia de uma gaia ciência em oposição aos valores metafísico-niilistas..Conforme a tese dos escritos de Nietzsche, o tipo homem deu-se, via de regra, sob a égide dos valores negativos do ressentimento, cujo corolário é o ideal ascético, atual paradigma dominante de todas as áreas da vida humana (e de todo “conhecimento” sobre essas áreas). Contra esse processo de decadência que corresponde a um castramento do homem, a um enfraquecimento de seus impulsos positivos, criadores, apenas a arte poderá indicar o caminho para novas possibilidades de existência, posto que é a única atividade humana que exemplifica uma valoração não-asceta da existência. O espírito livre, o filósofo do futuro, tem na arte a matriz operacional que permitirá idealizar novamente o mundo, levar o homem a assumir, agora de forma consciente e plena, a função “divina” de auto-criador e modelador da vida, no espírito de Dioniso (do segundo Dioniso, o do velho Nietzsche). Ao invés do auto-apequenamento do homem, ter-se-ia, com e a partir da “arte” (isto é, com a auto-criação de cunho nobre, regida pela gaia ciência), as diretrizes para a auto-superação da vida humana atual, dando lugar e vazão a novas, “até agora não desejadas”, realidades. Estas se traduzirão, por exemplo, numa grande saúde, numa grande política, numa grande razão, e mesmo numa grande seriedade; numa palavra, à existência em grande estilo, inédita na história, senão por alguns “acasos felizes”..O ponto de viragem é a chamada morte de Deus, perpetrada pela própria vontade de verdade ascética, numa imensa e inédita auto-implosão que implica, inclusive, na auto-superação-supressão ou metamorfose da Filosofia em gaia ciência. Seus herdeiros diretos serão uma nova espécie de pensadores-que-sentem-e-criam, que englobarão e extrapolarão e superarão o filósofo, o artista, o médico, o legislador..Conclui-se, então, que a função da arte na Terceira Dissertação de “Para a genealogia da moral” tem lugar e se constitui no entremeio das engrenagens que movem a necessária, auto-programada superação-supressão da vontade de verdade ascética em direção à gaia ciência. Conclui-se que na tessitura do aberto plano existencial humano há, entre arte e ciência-filosofia (Wissenschaft) uma contínua, inesgotável, instigante e produtiva tensão; uma relação, de mão dupla, entre dois pólos opostos-complementares, relação que se desdobra historicamente através de complexos tipos de formas de vida. Conclui-se que, na prática, “a filosofia ¾na medida em que genuinamente olhe para dentro do ‘abismo’ da realidade¾ necessita das ilusões embelezadoras da arte a fim de não ‘perecer pela verdade’. Pois a arte constitui a melhor força de oposição contra o pessimismo negador do mundo e o maior estimulante para a vontade” [MAY, 1999, p. 35 (tr. pr. )]. Conclui-se que Nietzsche quer, conscientemente, pôr em evidência e manter ativada essa relação na configuração filosofia-arte, bem como nas descrições do artista autêntico e do filósofo da gaia ciência.