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Ensaio analítico da obra Mística y psicoanálisis: el lugar del Otro en los místicos de Occidente, de Carlos Domínguez Morano

Evilázio Francisco Borges Teixeira

Autor
Evilázio Francisco Borges Teixeira
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
71 / 1
Ano
2026
DOI
10.15448/1984-6746.2026.1.47922
Páginas
e47922
Idioma
pt
2026Evilázio Francisco Borges Teixeira. Ensaio analítico da obra Mística y psicoanálisis: el lugar del Otro en los místicos de Occidente, de Carlos Domínguez Morano. Veritas (Porto Alegre), v. 71, n. 1, p. e47922, 2026.3

O que dizer quando se fala de mística e psicanálise? Trata-se de um tema problemático e carregado de equívocos, uma espécie de “confusão infinita”, que envolve dimensões menos conscientes de nosso psiquismo. Os fenômenos envolvidos são muito variáveis e, portanto, imprecisos na definição desse tipo de experiência. O que se pode observar é o aspecto externo do fenômeno, aquilo que é visível; porém, o não visível, aquilo que é interior, por ser subjetivo e irrepetível, foge à análise. E, portanto, a vivência se torna a chave de leitura de compreensão. Por exemplo, ao falarmos do amor: não pode ter uma ideia do amor quem nunca amou; só quem já se apaixonou pode compreender o estado de espírito de um amante. O mesmo se pode dizer de uma experiência mística. Falar do místico, portanto, remonta a uma necessidade vital que tem a ver com a percepção do mundo como totalidade limitada de fatos. E isso se deve à razão de que nenhum pensador, seja ele filósofo, teólogo ou psicanalista, ou mesmo um sujeito religioso, conseguiu expressar de modo decisivo a consciência da realidade a que se refere em sua experiência que transcende as representações que oferece. Isso significa dizer que o místico revela que, para alcançar o Outro, faz-se necessário experimentar o nada. Trata-se de um trabalho de desapropriação e de descentrar-se de si mesmo.