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Dissertações

Essencialismo e Modernidade: A Crítica de Max Stirner

Rodrigo Ornelas França

Dissertação
Autor
Rodrigo Ornelas França
Orientador(a)
José Crisóstomo de Souza
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012Rodrigo Ornelas França. Essencialismo e Modernidade: A Crítica de Max Stirner. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, BA. Orientador(a): José Crisóstomo de Souza.3

A dissertação tem por objeto a dessacralização da cultura no pensamento de Johann.Kaspar Schmidt, mais conhecido pelo pseudônimo de Max Stirner (1806-1856)..Recorrentemente abordada sob o viés anarco-individualista a obra de Max Stirner.possui afinidades com o existencialismo que não deixaram de ser percebidas por.autores como Henri Arvon, Martin Buber e Albert Camus. Contudo, mesmo essas.Abordagens mais propriamente filosóficas da obra do autor deixam de capturar um.aspecto, crucial na minha opinião, para a compreensão do caráter específico da mesma:.a sua natureza crítico-cultural. É esse aspecto e sua relação com o modo de.desenvolvimento argumentativo exposto no livro O Único e sua Propriedade que a.dissertação aborda através da análise das três etapas de sua efetivação: as.dessacralizações da individualidade, da linguagem e do vínculo social. Para Stirner, a.cultura moderna apresenta-se em um duplo aspecto; por um lado representa uma relativa.emancipação em relação aos laços naturais, assim como à dependência imposta pela.tradição e pelos costumes, mas por outro lado impõe uma dependência ainda maior em.relação à razão, ao pensamento, à verdade e à lei moral. A duplicação do mundo em um.mundo de essências e um mundo de aparências bem como a desvalorização de tudo que.se encontra marcado pelo signo da particularidade e da corporeidade são resultados que.Stirner considera inevitáveis da cultura moderna em sua proposta de Esclarecimento..Em função das nefastas conseqüências de tal depreciação da “carne” e duplicação do.real que redundam em uma completa “espiritualização do mundo”, é que Stirner indica.a necessidade de uma dessacralização.emancipatória dos aspectos.essencialistas/idealistas da Modernidade. Seria preciso “dissolver” a aparente autosubsistencia.de certos pensamentos submetendo-os aos meus interesses e pulsões,.submetendo o “poder do espírito”, “degradando-o” à condição de “espectro” e.reduzindo desse modo o seu poder sobre mim à condição de “mera obsessão”. Apenas.através dessa “heresia” o espírito poderia ser “desconsagrado” e então eu faria uso dele.a meu “bel-prazer. A realização de tal proposta cumpre-se em três etapas, cada uma das.quais analisada na dissertação: a dessacralização da individualidade, da linguagem e da.sociedade. O propósito é demonstrar que o resultado visado pelo autor é a deflação do.modo de lidarmos com nossos pensamentos, pretendendo com isso promover uma.valorização de muito do que a cultura moderna teria depreciado.