ESTUDOS SOBRE A CONSCIÊNCIA DE SI NA FILOSOFIA ANALÍTICA: ANÁLISE DE QUATRO AUTORES
CARLOS AUGUSTO MASCELLA KRIEGER
- Autor
- CARLOS AUGUSTO MASCELLA KRIEGER
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
A filosofia analítica, quanto às questões que em si ocupam lugar de importância, possui abordagens específicas quanto a formulações a respeito da tentativa de solução do dualismo mente-corpo. Tal dualismo é mais fortemente instaurado a partir dos escritos de Descartes a respeito da mente que se opõe a um corpo, sendo essa mente o local onde a dúvida a respeito das origens e da justificação do conhecimento se daria. Não há mais simplesmente uma alma imortal importando tanto para a justificação, mas uma mente, substância pensante distinta, em um local ligado ao corpo. ..Nesse trabalho são abordadas quatro concepções ligadas a autores representativos de cada uma das áreas de solução ligadas tanto às ciências cognitivas quanto à linguagem. Gilbert Ryle e Thomas Nagel abordam a questão da consciência de si com aspectos ligados às ciências cognitivas. Donald Davidson utiliza-se da análise da linguagem assim como Charles Taylor, embora esse utilize-se da noção da eticidade subjacente à análise do conceito de auto-conhecimento. Da interpretação de Ryle da noção do comportamento à eticidade implícita em Taylor, o trabalho versa sobre a noção específica da consciência de si desenvolvida por cada autor...A fim de apresentar algumas das soluções encontradas na filosofia analítica da questão da consciência de si, se faz apelo à análise dos escritos a respeito do tema nesses quatro autores contemporâneos: Gilbert Ryle, cuja importância maior consiste exatamente em haver iniciado uma análise da questão do dualismo mente-corpo através da redução dos fenômenos mentais a fenômenos físicos, em seu behaviorismo filosófico, Donald Davidson, que investiga a utilização dos conceitos do conhecimento como representações válidas de articulação na interioridade e a natureza anômala do mental, não restrito a leis como as da física; Thomas Nagel, que reflete sobre a incapacidade que temos como agentes humanos para definirmos e construirmos uma noção de nossa interioridade e analisa como se dá a aquisição de consciência a partir das articulações das representações mentais através de uma postura objetiva em detrimento da experiência subjetiva de cada ser humano; e por fim Charles Taylor, que estuda a necessidade da lembrança de que somos seres que necessariamente existem dentro de um horizonte de moralidade, e que tal horizonte configura nosso auto-conhecimento. ..O trabalho quer ser uma justificação de que a formulação daquilo que possa ser uma teoria do auto-conhecimento é assunto central em filosofia, não havendo consenso entre as diferentes vertentes. Talvez, a matéria em comum seja a certeza de que esse auto-conhecimento existe. Como pode ser que essa consciência de si exista, sem que nossa atual compreensão do funcionamento da mente humana seja, de alguma maneira, colocada como se a mente fosse uma entidade extra, uma matéria pensante com propriedades distintas do corpo, constitui o tema de várias posições teóricas. .. Ao definir o tema da dissertação, buscamos encontrar, no quadro da filosofia analítica, referenciais ligados à aquisição de conhecimento a respeito de si. O que encontramos são basicamente soluções através de uma relação do conhecimento sendo adquirido, através dessa epistêmese, como um objeto de estudo da própria consciência. Não examinamos um outro caminho, que consistiria na apreensão do conhecimento reflexivo como passível de se comparar à maneira de conhecer um objeto em estudo, assim como se dá nas ciências cognitivas. .. Essa dissertação pretende analisar um tema específico e bem delimitado da filosofia analítica. Fazemos isso não apenas pelo interesse próprio do tema no contexto das discussões atuais, mas pelo fato de que teremos dificuldade em compreender e justificar aquilo que conhecemos a respeito de nós mesmos, e ficaremos aquém de poder formular uma teoria do conhecimento que seja capaz de abarcar o todo da experiência humana, se os estudos não forem explorados e os problemas levantados pelas teorias da consciência de si, em suas conseqüências para a filosofia como tal.
