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EXISTENCIALISMO E SUBDESENVOLVIMENTO: A CRÍTICA DE ÁLVARO VIEIRA PINTO

Walber Luiz Ribeiro do Nascimento Junior, Eduardo Ferreira Chagas

Autor
Walber Luiz Ribeiro do Nascimento Junior, Eduardo Ferreira Chagas
Revista
Revista Dialectus
Edição
39
Ano
2026
DOI
10.36517/2026n39id96855
Páginas
104-112
Idioma
pt
2026Walber Luiz Ribeiro do Nascimento Junior, Eduardo Ferreira Chagas. EXISTENCIALISMO E SUBDESENVOLVIMENTO: A CRÍTICA DE ÁLVARO VIEIRA PINTO. Revista Dialectus, v. 39, p. 104-112, 2026.3

O presente artigo examina criticamente a pertinência da filosofia existencialista quando transposta para o contexto histórico dos países periféricos, tomando como referência a análise desenvolvida por Álvaro Vieira Pinto em Consciência e Realidade Nacional. Partindo do objetivo de avaliar a validade das categorias existencialistas — como angústia, liberdade indeterminada e confrontação com o nada — o trabalho argumenta que sua universalização é indevida, pois tais categorias refletem experiências espirituais e materiais próprias das sociedades europeias já consolidadas. A metodologia consistiu na análise conceitual de textos do existencialismo europeu e na leitura hermenêutica dos trechos centrais de Vieira Pinto, com foco na dimensão geopolítica que marca sua crítica. O resultado principal é a demonstração de que, para o pensador brasileiro, a situação histórica do subdesenvolvimento altera estruturalmente o sentido da existência humana, deslocando o horizonte do “nada” europeu para o “tudo por fazer” próprio dos povos periféricos. Conclui-se que a adoção acrítica do existencialismo constitui forma de alienação filosófica e intelectual, pois ignora as tarefas materiais que condicionam a realização da existência no mundo subdesenvolvido. A crítica vieirapintiana indica, ainda, as bases para uma filosofia da existência latino-americana fundada no imperativo histórico da transformação concreta e não na contemplação angustiada da subjetividade.