FILOSOFIA DO TRABALHO EM TRÊS PENSADORES DA MODERNIDADE: HEGEL. MARX E HABERMAS
LIANE KIRINUS
- Autor
- LIANE KIRINUS
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
O trabalho se apresenta como elemento decisivo na construção do mundo humano e, a partir da modernidade, se vincula aos projetos utópicos e ideais emancipatórios. A prova da importância do trabalho como fator de construção e viabilização das propostas contidas no projeto da modernidade é a atenção que lhe é dada por autores modernos como Hegel, Marx e Habermas... O trabalho tem um caráter ambíguo. Ele se constitui na afirmação e realização da especificidade do homem. É sobre ele que se assenta o mecanismo do desenvolvimento histórico da espécie humana. Mas, dialeticamente, o trabalho já traz junto a sua antítese, sua negação como realização, o seu caráter de embrutecimento, exploração e alienação. No contexto do capitalismo, o trabalho torna-se propriedade do capitalista e desrealização do trabalhador. Com isso, embrutece e divide os homens... A realização do trabalho resulta em desrealização do trabalhador. A objetivação do produto do seu trabalho representa, para o trabalhador, a perda do objeto, de tal maneira que ele fica privado dos objetos mais necessários à vida e ao trabalho. Como conseqüência, o trabalhador passa a relacionar-se com o produto do seu trabalho como com um objeto estranho, que adquire vida própria, que ganha poderes e domínio sobre o próprio trabalhador, tornando-se uma força hostil e antagônica. .. Essa análise parte integralmente de Marx, e Habermas a considera válida. Mas lança-lhe a crítica de não ter considerado a produção material e a interação social como duas dimensões irredutíveis da prática humana, apenas considerando a segunda uma conseqüência da primeira. Diferentemente, para Habermas, a autoconstituição da espécie não se efetua apenas no contexto de um agir instrumental do homem frente à natureza mas, simultaneamente, na dimensão de um quadro institucional que determina as interações dos homens entre si. Trabalho e interação são as condições fundamentais para a constituição da espécie humana, as quais determinam as características próprias da nossa existência cultural... A crítica de Habermas a Marx está embasada nos escritos que Hegel produziu em sua juventude, anteriores à Fenomenologia do espírito. Nestes escritos, Hegel pensa o processo de autoformação da espécie humana assentada em três dimensões irredutíveis, inter-relacionadas e de igual importância: linguagem, trabalho e relações éticas, ou interação. Habermas vai tomar como ponto de partida estas distinções hegelianas para pensar sob outra ótica os processos produtivos, as relações de produção, mas também a construção da identidade de sujeitos que estabelecem relações para além da esfera da produção.
