- Autor
- SANDRO KOBOL FORNAZARI
- Orientador(a)
- SCARLETT ZERBETTO MARTON
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
Pensar a autobiografia de Friedrich Nietzsche, Ecce Homo, como obra filosófica que se encontra em consonância com o percurso intelectual do filósofo alemão é o ponto de partida e o desafio a que se propõe este trabalho. Analisam-se a princípio os significados, no contexto dessa obra, de algumas das principais elaborações conceituais da filosofia nietzschiana, tais como o amor fati, o eterno retorno e a tipologia moral, associada à noção grande saúde. Com base nisso, discute-se em que medida a própria idéia nietzschiana de autobiografia pode ser aclarada por essas noções e por seus pressupostos teóricos. Por conseguinte, perguntar-se-á acerca da legitimidade de uma filosofia que procura dissolver os dois tradicionais parâmetros de legitimação: a subjetividade e a objetividade. Pois o corpo, redefinido como Selbst, ou seja, como atuação de forças ou impulsos em relação, vem permitir a Nietzsche uma nova concepção de filosofia como """"expressão"""" dos estados de fato do mundo. Conseqüentemente, talvez se deva interpretar Ecce Homo como uma autocaracterização tipológica decorrente de uma sadia hierarquização de impulsos corporais que é capaz de afirmar irrestritamente o universo em seu eterno curso circular. Isso leva a perguntar se a filosofia nietzschiana e, mais propriamente, a suposta autobiobrafia de Nietzsche não prescindiriam de uma autoria e, nesse caso, se não prescindiriam da assinatura que insistentemente acompanha seus escritos.
