- Autor
- Jeanne Marie Gagnebin
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 3 / 5
- Ano
- 2016
- DOI
- 10.34024/limiar.2016.v3.9243
- Páginas
- 4-14
- Idioma
- pt
Num primeiro momento, o artigo tenta reconstruir rapidamente as relações históricas entre filosofia e literatura a partir de sua origem platônica, na oposição entre o discurso da filosofia (uma palavra criada por Platão) e o discurso da poesia, da retórica ou daquilo que Platão chama de sofística. Num segundo, coloca em questão as dicotomias estabelecidas por essa separação, tais como sensível-inteligível, mentiraverdade e, finalmente, metáfora e conceito. Tenta mostrar a importância do sensível e das narrativas ficcionais (ou míticas) na própria filosofia de Platão e introduz a questão das relações entre linguagem e mundo como temática central do indizível a partir da crítica platônica da escrita. Essa temática é desenvolvida nas suas abordagens distintas entre o olhar retrospectivo da filosofia e o olhar mais profético da literatura, para recolocar a questão da ficção não em termos de mentira, mas, segundo Paul Ricoeur, como gesto mimético que reconfigura o real e permite, assim, a invenção imaginativa de outras possibilidades de realidade, invenção que nos faz pensar. Por fim, evoca rapidamente as “formas literárias” da filosofia, segundo os termos de Gottfried Gabriel, e sua significação para uma melhor compreensão do pensamento filosófico.
