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HERMENÊUTICA E DIALÉTICA: DOS ESTUDOS PLATÔNICOS AO ENCONTRO COM HEGEL

Custódio Luís Silva de Almeida

Tese
Autor
Custódio Luís Silva de Almeida
Orientador(a)
CARLOS ROBERTO CIRNE LIMA
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000Custódio Luís Silva de Almeida. HERMENÊUTICA E DIALÉTICA: DOS ESTUDOS PLATÔNICOS AO ENCONTRO COM HEGEL. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): CARLOS ROBERTO CIRNE LIMA.3

O título desse trabalho já antecipa a sua pretensão. """"Hermenêutica e Dialética - dos Estudos Platônicos ao encontro com Hegel"""" sugere ao leitor que tome como referência genética o pensamento de Platão para compreender, no diálogo entre Gadamer e Hegel, as posições assumidas pelo pensamento hermenêutico. Isso significa que algumas questões estruturais do Corpus Platonicum são retomadas na reconstrução crítica da dialética hegeliana. Para Gadamer, criticar e compreender um problema significa buscar as suas origens, para vislumbrar o mais amplo horizonte de sentido possível em que ele está situado. No caso do projeto hegeliano, o ponto de partida foi a herança dos gregos, aproximada de saber filosófico por Platão e Aristóteles... Duas afirmações de Gadamer mobilizaram a minha atenção para este trabalho, a primeira é a que define a tarefa da hermenêutica filosófica como sendo a de """"refazer, para trás, o caminho da Fenomenologia do Espírito de Hegel, no sentido de mostrar em toda subjetividade a substancialidade que a determina"""" - esta afirmação autoriza o leitor a supor que a dialética de Hegel será tomada como referência indispensável à compreensão da hermenêutica filosófica. A segunda afirmação diz que """"a dialética [de Hegel] deve repreender-se na hermenêutica"""" ; assumiremos essa posição como uma conseqüência do caminho de volta na tradição, que levou Gadamer à dialética de Platão, de inspiração socrática, para a qual o diálogo é o verdadeiro topos da filosofia. A partir disto, proponho-me a mostrar quais as bases dessas afirmações e quais as pretensões que as sustentam. O roteiro a ser seguido pretende dar conta da trajetória da hermenêutica de Gadamer, situando-a na longa tradição que liga Platão a Hegel. Neste sentido, os Estudos Platônicos foram tomados como referência básica para a análise pretendida, não apenas porque são parte importante da obra de Gadamer, mas também, porque são considerados aqui as bases inspiradoras da crítica que mais tarde foi feita à dialética hegeliana e que, finalmente, levou Gadamer a sustentar, com Platão e contra Hegel, que a filosofia é diálogo. A hermenêutica pretende levar essa posição às últimas conseqüências... O encontro entre Gadamer e Hegel, por outro lado, não deve ser visto apenas como repreensão ou correção à dialética, mas, principalmente, como o lugar de explicitação da própria tarefa da hermenêutica filosófica. Desse modo, há uma relação complementar entre dialética e hermenêutica; no entanto, é preciso destacar criticamente as suas diferenças. E para fazer as devidas distinções, devemos nos perguntar, primeiramente, por que Gadamer escolheu a Fenomenologia do Espírito como modelo a ser seguido, e em que consiste a crítica ao sistema de Hegel.