HOMEM E SENSIBILIDADE EM LUDWIG FEUERBACH: CRÍTICA À TEOLOGIA CRISTÃ E À FILOSOFIA ESPECULATIVA
Regiany Gomes Melo
- Autor
- Regiany Gomes Melo
- Orientador(a)
- Eduardo Ferreira Chagas
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
A análise imanente que direcionamos sobre as críticas que Feuerbach dirige à religião e.teologia cristãs e à filosofia especulativa mostra que o objetivo central desenvolvido nestas.críticas está vinculado à afirmação da antropologia feuerbachiana e, com isso, à compreensão.do homem enquanto ser racional e, também, sensível. Feuerbach articula sua crítica à religião.e à teologia cristãs a partir do processo de alienação da essência genérica humana. De modo.que o autor busca nas fontes primárias do cristianismo clássico e em seus expoentes.supranaturais o seu correlativo verdadeiro, material, a desmistificação das imagens religiosas.e dos dogmatismos teológicos. A partir disso, Feuerbach mostra que a religião cristã é.expressão dos sentimentos humanos, das relações humanas, da sensibilidade e, portanto, ela é.antropologia. Todavia, esse sentimento expresso pela religião cristã é inibido pela doutrina.teológica no processo de desenvolvimento e afirmação da dogmática e racionalidade.teológicas, afirmando um ideal de homem castrado, assexuado, desnaturalizado. Do mesmo.modo a filosofia especulativa moderna, cujo expoente máximo é Hegel, fundamenta,.enquanto base do sistema lógico, a afirmação do ser absoluto a partir da abstração do homem.e da sensibilidade. Para Feuerbach, a filosofia moderna se detém na articulação de conceitos,.cujos elementos são fundados idealisticamente, autofundados na razão, ou seja, os conceitos.não são extraídos do mundo sensível, de panoramas da realidade. Assim, para o filósofo de.Landshut, a filosofia especulativa moderna se torna uma filosofia arbitrária. Ademais, a.filosofia feuerbachiana é marcada por uma radicalidade crescente que se expressa na defesa.de uma nova filosofia que deve começar com a não-filosofia, ou seja, com o revês.metodológico instituído pela “filosofia de escola”, a saber, os objetos sensíveis. A nova.filosofia deve partir dos objetos sensíveis, para então obter bases concretas e imanentes na.elaboração dos conceitos, validando a própria natureza como aquela à qual o homem deve a.sua origem e os meios materiais para a sua existência. A nova filosofia ou filosofia sensualista.busca reconstituir o conhecimento completo: razão e sensibilidade unidos na problematização.e compreensão do homem e do mundo. O objetivo do presente trabalho é precisar a.centralidade conceitual do homem e da sensibilidade que existe no arcabouço crítico.feuerbachiano e mostrar que a crítica visa à concretização da emancipação e conscientização.humana, pois, para Feuerbach, somente assim o homem poderá atuar ativamente no.desenvolvimento social em busca do bem comum.
