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Dissertações

Implicações do problema da interdependência da Filosofia da Ciência e da História da Ciência em Imre Lakatos

Márcio Augusto Damin Custódio

Dissertação
Autor
Márcio Augusto Damin Custódio
Orientador(a)
Fatima Regina Évora
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
1999
1999Márcio Augusto Damin Custódio. Implicações do problema da interdependência da Filosofia da Ciência e da História da Ciência em Imre Lakatos. 1999. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): Fatima Regina Évora.3

A dissertação trata da interdependência da Filosofia e da História da Ciência, que ganha evidência, neste século, na década de sessenta, como um posicionamento crítico com relação à visão predominante da Filosofia da Ciência de então, chamada tradicional ou """"positivista"""". Da crítica ao positivismo emerge uma nova abordagem racionalista da ciência que se caracteriza pela preocupação em confrontar o trabalho do filósofo com a História da Ciência, caso de Imre Lakatos, que primeiro colocou o problema de modo elaborado...Do ponto de vista do historiador da Ciência, o problema da interdependência pode ser compreendido tal qual primeiramente foi exposto por Lakatos, da seguinte forma: (1) o historiador elabora uma reconstrução racional de seu objeto de estudo; (2) tenta comparar sua reconstrução racional com a história real - essa comparação dá-se sob dois aspectos: (a) criticando a reconstrução racional por carecer de historicidade, (b) criticando a história real por carecer de racionalidade. Com isso, o historiador da ciência não pode deixar de tentar estabelecer o que é ou não ciência, pois ao deparar-se com a história, pode não saber distinguir nela o que é ou não parte de seu objeto de estudo. Dessa forma, o historiador carrega de antemão um problemático ponto de contato da metodologia de sua disciplina, a história da ciência, com a filosofia da ciência, qual seja, o uso de """"parâmetros"""" de demarcação definidos segundo a noção de racionalidade adotada e que têm por função permitir a reconstrução histórica. O filósofo da ciência, por sua vez, ao definir parâmetros de demarcação, expõe-se ao teste da reconstrução histórica, no qual são suscitados os momentos em que ocorrem grandes mudanças teóricas na ciência, como o sucedido com a astronomia no final do século XVI e início do século XVII, quando o sistema de mundo aristotélico-ptolomaico foi preterido pelo copernicano-galileano. Assim, pode-se compreender a paráfrase que Lakatos faz de Kant ao abordar o problema da interdependência: """"A filosofia da ciência sem a história da ciência é vazia; a história da ciência sem a filosofia da ciência é cega""""...A dissertação tem o intuito de examinar a relação que há entre Filosofia da Ciência e História da Ciência e suas conseqüências para a formação de um método sob o qual o historiador possa atuar, procurando notar se essa relação caracteriza-se como de dependência e de perda de autonomia para ambas disciplinas do conhecimento, exame que se dá, principalmente, do ponto de vista da metodologia da história da ciência, pela análise própria da filosofia da ciência e por meio do estudo de caso apresentado, sobre a defesa que Galileu Galilei faz do copernicanismo na primeira jornada do Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo: ptolomaico e copernicano...Seguindo o objetivo, o trabalho divide-se em duas partes: nos dois primeiros capítulos, são abordados os problemas metodológicos da reconstrução racional da história da ciência surgidos da relação da filosofia com a história da ciência em Imre Lakatos; nos dois últimos capítulos, leva-se a discussão metodológica para um exemplo de reconstrução histórica da ciência elaborado por Lakatos e a um estudo de Galileu, no qual se discute a defesa do copernicanismo e o modo pelo qual é exposto o embate entre as cosmologias aristotélico-ptolomaica e copernicano-galileana.