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Dissertações

Indução e Confirmação: do “Velho” Problema ao Novo “Enigma”.

Renata Maria Santos Arruda

Dissertação
Autor
Renata Maria Santos Arruda
Orientador(a)
Araceli Rosich Soares Velloso
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2008
2008Renata Maria Santos Arruda. Indução e Confirmação: do “Velho” Problema ao Novo “Enigma”.. 2008. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GO. Orientador(a): Araceli Rosich Soares Velloso.2

O objetivo desse trabalho é apresentar o tratamento para o problema da indução de David Hume pelo filósofo Nelson Goodman, e como a noção de “hábito” do primeiro filósofo se liga diretamente à noção de “arraigamento” do segundo para se determinar a validade de nossas confirmações de hipóteses empíricas. A partir desses dois conceitos, mostraremos como Goodman pretende determinar a relação de confirmação válida entre hipótesis e enunciados de prova. Inicialmente, apresentaremos o problema da indução de Hume, enfatizando a explicação desse filósofo para nossa crença nas inferências acerca do mundo empírico, a despeito da ausência de conexão dedutivamente válida entre essas inferências. Mesmo que seja inquestionável a invalidade dessas inferências, diferentes análises de caráter lógico se seguiram ao estabelecimento do problema da indução por Hume. Focamos nossa investigação na procura por justificativas objetivas para a aplicação do raciocínio indutivo nas ciências empíricas, presentes nas “teorias da confirmação”. Destacamos a teoria sintática da confirmação, representada pelos filósofos Carl Hempel e Israel Scheffler, e a teoria semântica da confirmação, representada por Rudolf Carnap. Tanto na teoria sintática da confirmação quanto na semântica, a avaliação da validade da confirmação é guiada por certos conceitos da lógica dedutiva. Os problemas que decorrem dessas teorias se devem tanto à incompatibilidade de nossas intuições com as regras formais, como mostra Hempel em seu “paradoxo dos corvos”, como pelo conflito entre as próprias regras formais, como demonstra Goodman a partir da solução de Hempel para seu paradoxo. Ao pressupor uma fundamentação para a validade indutiva no significado dos predicados, a teoria proposta por Carnap é confrontada por resultados que revelam a fragilidade de seus próprios fundamentos. Ainda mais problemática se torna a associação da teoria sintática com a teoria semântica da confirmação, como mostraremos no “novo enigma” da indução de Goodman. Apresentaremos, por fim, a teoria da projetabilidade de Goodman, que ressalta a importância de critérios pragmáticos para a determinação mais precisa da validade indutiva. Nossa última análise consiste em associar a teoria de Goodman à resposta inicialmente apresentada por Hume, e mostrar que desde o princípio, o problema da indução já encontrava sua resposta mais plausível.