Inteligência e religião: Bergson e a religião estática como reação da inteligência
Thiago Augusto de Paula Nolasco
- Autor
- Thiago Augusto de Paula Nolasco
- Revista
- Revista Filoteológica - ISSN: 2763-7549
- Edição
- 6 / 1
- Ano
- 2026
- Idioma
- pt-BR
O presente artigo investiga a relação entre inteligência, função fabuladora e religião estática na filosofia de Henri Bergson, tal como apresentada em Duas fontes da moral e da religião (1932), à luz dos conceitos epistemológicos desenvolvidos em Ensaios sobre os dados imediatos da consciência (1889) e Matéria e memória (1896). Argumenta-se que a função fabuladora, compreendida como um resíduo instintivo da inteligência, constitui o mecanismo gerador das formas primárias de religião, cuja finalidade essencial é a preservação da coesão social e a proteção do indivíduo diante das representações ameaçadoras produzidas pela própria inteligência. A análise demonstra que a religião estática, nascida desse movimento defensivo, caracteriza-se pela espacialização do sagrado, pela cristalização de símbolos, pelo recurso ao hábito como forma de perpetuação ritual e pela repetição automática de práticas que visam a manutenção de uma ordem estabelecida.
